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Olá, caros leitores, aqui vai mais um conto assombroso, daqueles de arrepiar os cabelos da nuca, porque o que vai ser descrito agora não é uma obra de ficção, mas uma história puramente verídica, contada por pessoa da mais alta confiabilidade, sem tirar e nem pôr. Boa leitura a todos os que apreciam, acreditam e que têm coragem.

 

Adriana Costa Alves

E-mail: adrianabraille@yahoo.com.br

 

Simone, moça bonita, já em idade de se casar, conheceu Mateus, o amor de sua vida, em uma tarde ensolarada de verão, numa das praias mais badaladas de nossa capital. Quando se olharam sentiram os dois que foi amor a primeira vista. Dali um convite para sair, uma visita a casa dos pais dela e quando deram-se conta já haviam engrenado em namoro firme.

Mas havia um problema, Simone e Mateus ainda cursavam a universidade e por isso não poderiam se casar tão cedo. – Não faz mal, dizia ele. Quando nos formarmos, casaremos e até lá podemos ficar noivos se você quiser. É claro que Simone queria, na verdade, esse era um sonho que ela acalentava já há algum tempo. Não faria mal algum em ficar noiva mesmo que o casamento ainda fosse para dali uns dois anos, pensava ela.

E assim foi feito e menos de um ano do início do namoro, o casal de apaixonados trocou alianças na mão direita. Uma briguinha aqui, outra acolá, como qualquer casal normal que seguia o ritmo de sua vida. E assim passaram-se os dois anos. Simone formou-se primeiro e Mateus depois, uma vez que ela era um pouquinho mais velha que ele.

Nesta época os dois já trabalhavam e um ano após a formatura de Mateus, já haviam dado entrada em um pequeno apartamento e decidiram então que já era momento de se casar. De início sabiam que não seria tão fácil assim, mas também sabiam que poderiam contar com o apoio de seus pais que não mediam esforços para ver seus filhos juntos e felizes.

O casamento estava marcado para dali a seis meses, até que… uma tragédia se abateu sobre Simone e refletiu na vida das duas famílias. Em uma noite, quando saia da casa da noiva, Mateus sofreu grave acidente de carro, vindo a falecer instantaneamente.

Ninguém acreditava no que havia acontecido. Que um rapaz tão jovem, ainda na flor da idade, com tantos sonhos e um futuro promissor pela frente, desaparecesse do universo assim, de repente, deixando a noiva e as duas famílias totalmente desoladas e destruídas pela dor.

Simone passava seus dias e suas noites a chorar, sofrer, maldizer o destino e sua desdita. Não mais queria se alimentar, fechou-se dentro de sua própria concha, havia morrido para o mundo. Aos poucos, muito aos poucos começou a recobrar o bom senso, a aceitar a vida e o recomeço dela. Voltou a trabalhar e até a sair algumas poucas vezes com os amigos, mas namorar, nem pensar.

A moça não conseguia sequer cogitar a idéia de um novo romance. Jamais acharia e nem amaria alguém como ele, Mateus, pelo menos, era o que pensava. Os amigos que haviam acompanhado todo o sofrimento da moça, não insistiam, sequer tocavam no assunto.

Mas o tempo passou, a saudade permaneceu e as lembranças foram-se tornando cada vez mais espaçadas. Até que um dia… Simone, em uma destas saídas com os amigos, conheceu um rapaz, amigo de uma amiga, pelo qual acabou se encantando. O moço, divertido e boa gente, também gostou de Simone e começou aí uma bela e firme amizade.

E o que no início era apenas um sentimento de amizade, foi ganhando vida e ficando cada vez mais forte. Pedro conversava muito com Simone e aos poucos foi conhecendo sua triste história. Até que um dia, já totalmente tomado de amores pela moça, resolveu pedir-lhe em namoro. Simone aceitou e começou a escrever uma nova história em sua vida.

Seus pais acolheram Pedro como a um filho e até os pais de Mateus, com quem Simone ainda mantinha contato, gostaram do rapaz assim que a viram com ela em um shopping. E assim o namoro engrenou.

Uma noite, Simone estava deitada na cama,  havia perdido o sono e lembrou-se de Mateus. De uma vez em que estavam conversando deitados no tapete do apartamento que haviam adquirido juntos e que estava fechado há tanto tempo… desde o fatídico dia. Simone, depois da partida repentina de Mateus, havia estado lá algumas vezes, mas sem coragem para se desfazer dele ou mesmo alugá-lo, não suportava a idéia de que outras pessoas seriam felizes no lugar deles, do mesmo jeito que eles poderiam ter sido…

Virou para o lado, tentou afastar o pensamento, não conseguiu, a lembrança daquele dia no tapete da sala e o que Mateus havia lhe dito teimavam em voltar e clarear seus pensamentos como a força de um raio. Estavam felizes, teciam planos para o futuro próximo e breve, mal sabiam eles. Mas o fato é que Mateus havia lhe dito que se ela, Simone, não se casasse com ele não se casaria com mais ninguém.

Pega de surpresa, Simone tomou fôlego e tratou de responder com três perguntas a queima roupa: -Que é isso Mateus? Que besteira é essa agora? E por que eu não me casaria com você? Mateus riu do jeito dela e falou: -Eu só estava brincando minha gata, mas sei lá… De repente pensei que eu poderia morrer e aí… Simone ficou brava: -Nem pense em uma coisa destas, você é novo e tem saúde para dar e vender, não sei como poderia morrer.

E o assunto morreu por ali. Mateus, logo depois. Se premonição ou não, agora só Simone sabe… Acontece que depois desta noite mal dormida, Simone não voltou a pensar mais no assunto, pelo menos, até o dia de seu casamento.

É que um ano depois de namorar Pedro, os dois decidiram casar. Combinaram que não fariam festa, a cerimônia no religioso seria para poucas pessoas, só os familiares e amigos mais chegados. Depois, um bolo com champanhe seria cortado e os noivos partiriam para a viagem de lua de mel, um belo cruzeiro em um belo navio.

O grande dia chegou. Simone que estava ansiosa como toda noiva confidenciou para sua prima que não havia dormido bem e que o motivo não era apenas a ansiedade que antecede o casamento, mas um pensamento que não lhe saia da cabeça desde a noite anterior. Aquele pensamento. Aquelas palavras. Macabras. Malditas.

A prima tratou logo de afastar estes maus pensamentos da cabeça da noiva, dizendo que era normal que ela lembrasse ainda do noivo falecido, afinal também estivera com o pé no altar antes de Pedro e talvez sua consciência a estivesse acusando de algo que ela sabia não ter culpa mas que no fundo ainda a consumia. Não tinha culpa da morte do ex-noivo, menos ainda de ter retomado sua vida.

Menos angustiada e mais animada, Simone esmerou-se em caprichos para consigo mesma e na hora H estava linda de viver, melhor, morrer… A capela estava repleta de convidados, que não eram muitos, mas como era pequena, dava a impressão de estar quase completa. Pedro esperava no altar ao lado de duas testemunhas.

Simone adentrou a Igreja de braços dados com seu pai, deslumbrante em seu vestido branco de renda, grinalda e buquê confeccionados com rosas vermelhas que contrastavam com o branco do vestido e a alvura da pele. Todas as atenções se voltavam para ela e Pedro estava maravilhado.

O pai entregou-a ao noivo e os dois subiram os dois degraus do altar. O casamento tão esperado começou. Trocaram juras e alianças e então… eis que mais uma vez, o inesperado, o inacreditável aconteceu… Bem no momento em que o padre os declarava marido e mulher, Simone levou a mão ao peito e caiu.

O espanto foi geral, tentaram reanimá-la de todas as formas, mas nada mais poderia ser feito. Simone não estava desmaiada e sim morta. Um ataque fulminante havia lhe tirado a vida, assim, de repente, como de repente Mateus também tinha morrido.  E conforme as malditas palavras dele: “Se não casares comigo, não casarás com mais ninguém.”

As palavras tem força e não devem jamais ser pronunciadas ao vento quando não forem para o próprio bem e para o bem alheio. Mateus pronunciou-as, desejou-as mesmo e se por puro capricho ou premonição, Simone uniu-se a ele na eternidade…

Noiva Fantasma. (Foto Divulgação)

 

Conto em homenagem ao Dia das Bruxas. (Foto Divulgação)

 

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