Perguntar não ofende, mas até que ponto essa “devolução” não foi perseguição política? 

 

A notícia caiu como uma “bomba”. Na quinta-feira da semana passada (01/10/2020), o prefeito Ramon Wollinger (PSD) enviou um ofício ao governo do Estado informando que está “devolvendo” o médico infectologista, dr. Adriano Vicente, funcionário estadual “emprestado” para atuar na secretaria municipal de saúde de Biguaçu.

Essa notícia está repecurtindo, pois acredita-se que a “devolução” nada mais seria que “vingança” política. Pois expliquemos.

Adriano é médico há muitos em Biguaçu e é responsável pelo acompanhamento de mais ou menos 1.800 pacientes, maioria dos quais portadores do vírus do HIV/Aids.

Em seu ofício, o prefeito Ramon Wollinger não informou qual o motivo de “devolver” o citado médico para seu local de origem, a secretaria de saúde do governo do Estado. Adriano é médico do quadro do estado que foi “emprestado” para Biguaçu, onde atua há muitos anos, principalmente no atendimento a doentes de doenças infecciosas.

Adriano tornou-se tão popular que inclusive foi eleito vereador em 2016 com 934 votos,  tamanho seu prestígio junto a seus pacientes.

Ninguém aqui está dizendo que o prefeito Ramon mandou “devolver” Adriano para o governo do Estado por pura perseguição política, mas não podemos deixar de chamar a atenção para uma série de “coincidências”.

Em primeiro lugar, Adriano não quis ser novamente candidato a vereador na eleição de novembro deste ano, porém sua esposa, Helô Vicente, entrou na disputa. Qual o partido dela? É o Podemos e este último está coligado com o MDB que lançou o vereador Salmir Silva, adversário de Vilson Alves, candidato do prefeito Ramon.

Em resumo: Adriano não é mais candidato, mas está apoiando uma candidata cujo partido é adversário de Ramon. Coincidência, não é?

 

APOIO A DANIEL LUZ

A segunda “coincidência” foi que Adriano participou de uma live recentemente do ex-secretário municipal de saúde de Biguaçu, Daniel Luz.

No início deste ano, Daniel recebeu o convite do prefeito Ramon para ser o seu “candidato” a prefeito. Luz deixou a secretaria de saúde e começou a trabalhar nos preparativos da campanha.

O que aconteceu no final dessa história? Daniel teve de bater chapa com o vereador Ângelo Vieira e perdeu na convenção do PSD. Ângelo acabou virando o candidato a vice-prefeito na chapa de Vilson Alves.

Em suma: Daniel foi traído e humilhado e acabou expressando sua revolta numa live em que o vereador Adriano apareceu falando do trabalho conjunto com Luz, quando este era secretário de saúde.

Adriano não atacou diretamente o prefeito Ramon, mas elogiu o trabalho de Daniel, falou de vários episódios em que os dois tomaram a dianteira para resolver problemas de saúde pública no município e, no final, falou de sua decisão de não sair a candidato a prefeito.

Se nós não estivermos enganados (que sejamos corrigidos a posteriori), Adriano ficou chateado com uma série de acontecimentos dentro da secretaria de saúde de Biguaçu, mas a gota d´água teria sido a “trairagem” com meu amigo pessoal, Daniel Luz. Para Adriano, Adriano não deveria ter sido tratado desse jeito.

“Coincidência” ou não, Adriano não mais fala do mesmo grego dórico do prefeito Ramon.

 

ONDA DE DEMISSÕES

Terceira coincidência: semana passada, o prefeito Ramon demitiu inúmeros funcionários comissionados da prefeitura de Biguaçu. Quem foram dispensados? Justamente os funcionários indicados pelo ex-vereador e atual candidato a prefeito de Biguaçu pelo DEM, Marconi Kirch.

O próprio Marconi salientou que essas demissões efetuadas por Ramon eram para pressionar o ex-vereador a desistir de sua candidatura a prefeito, mas Kirch não aceitou e manteve a candidatura.

“Coincidência” ou não, dentro desse período de dispensas, estava a do médico Adriano.

Adriano não é funcionário comissionado, mas sim efetivo, porém do governo do Estado. Como dito antes, ele é apenas “emprestado” para a prefeitura de Biguaçu.

Mas qual o problema de se “devolver” Adriano? A priori, não tem problema algum. É normal as “devoluções”. Porém Adriano está morando em Biguaçu, tem família, atende inúmeros pacientes no município e tem uma longa história de bons serviços prestados à comunidade biguaçuense.

Ora, sendo “devolvido”, Adriano está a mercê de ser enviado para trabalhar em outro município, quem sabe em outra região do estado de Santa Catarina.

Se isso acontecer, será um transtorno de mudança, readaptação, como levar sua família para a nova cidade etc.

Ou seja, o ato de “devolução”, quer queira, quer não, pode ser interpretado como um ato de “vingança”, só para incomodar Adriano.

E há um outro problema: estamos em plena era de pandemia. Qual a justificativa de se “devolver” o médico mais experiente e popular de Biguaçu justamente numa época em que o município enfrenta uma pandemia?

 

MINISTÉRIO PÚBLICO

Não se sabe ao certo, porém dependendo da resposta (ou não) do prefeito Ramon, o caso da “devolução” do médico Adriano poderá ser contestada junto à Justiça, pois há a desconfiança que o ato foi pura perseguição política.

Adriano cometeu algum crime ou irregularidade que mereça a punição de ser devolvido? Ele é “odiado” por seus pacientes? Fez confusão? Brigou? Fez alguma besteira?

A resposta é um redondo “não”. Ele não fez absolutamente nada de errado na sua função de médico. É um profissional exemplar.

Seu “crime” é apenas não se candidatar e estar apoiando sua esposa que é candidata a vereadora por um partido contrário ao do prefeito Ramon. Simples assim.

 

Ofício do prefeito informando o governo do Estado sobre a devolução do médico Adriano Vicente. (Foto Reprodução)

 

Documento 01. (Foto Reprodução)

 

Documento 02. (Foto Reprodução)

 

Ofício que o prefeito Ramon Wollinger enviou ao governo do estado em 01.10.2020 sobre a devolução do médico Adriano

 

Adriano Luiz Vicente, médico. (Foto Arquivo JBFoco)

 

Adriano está apoiando sua esposa a candidata a vereadora nas eleições de novembro deste ano. (Foto Divulgação)

 

 

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