Por: Adriana Costa Alves | 18/07/2018

E por falar em razão… Todo abandono tem suas razões, afinal, na vida, nada acontece por acaso. E por mais que digam ou pensem que a mãe de uma pequena recém-nascida abandonada numa Igreja foi relapsa e irresponsável e que nada justificaria tal ato. É muito bom lembrar em que país vivemos…

Um país em que não há investimento em planejamento familiar. Porque sinceramente, fazer campanhas de uso de preservativo e oferecer anticoncepcionais gratuitamente em postos de saúde, sem esclarecer devidamente a população menos esclarecida, é só conversa bonita para dizer que o governo faz a sua parte.

Porque não pensem, caros leitores, que mulheres carentes são donas de uma grande prole por puro prazer. Não mesmo. Há poucos anos nossa equipe de reportagem, saiu em campo para entrevistar mulheres de comunidades carentes que apesar da pouca idade, já tinham um número considerável de filhos.

Uma adolescente, de apenas 14 anos, mãe de uma menina recém-nascida, relatou que procurava se precaver fazendo uso dos anticoncepcionais, até que sua mãe, um belo dia, achou a cartela e usou os comprimidos em um frasco de xampu, por alegar que os mesmos, fortaleciam os fios e faziam o cabelo crescer mais rápido.

Uma outra jovem, na casa dos 30 anos e já mãe de cinco filhos, contou que não podia tomar anticoncepcional por problemas de saúde e que seu marido recusava o uso de preservativos. Ela tentava então, fazer a prevenção, por meio da famosa e furada “tabelinha”, mas quando o marido chegava em casa cheio de “cana”, não tinha outro jeito.

Uma outra adolescente, mãe de dois filhos, também contou que a receita para a aquisição do anticoncepcional já estava vencida e que estava difícil marcar nova consulta com o doutor para pegar outra receita e que também estava com muito medo de engravidar novamente.

E por aí se vão muitas histórias, de mães prematuras que não desejam e não estão preparadas para a maternidade. E então? Faltam comprimidos ou preservativos? Não, o que falta é conscientização e vontade dos governantes. Mas não este tipo de conscientização em que médicos e psicólogos falam sobre o risco de uma gravidez precoce, suas implicações, etc, etc, e que geralmente são exibidos apenas em programas de TV paga.

Definitivamente não! Estamos falando de conscientização em massa e de programas que priorizem o verdadeiro planejamento familiar, como por exemplo, oferta de laqueaduras e vasectomias gratuitos à todos que não desejam por força de muitas circunstâncias tornarem-se pais ou mães e que tem consciência da falta de condições para criar seus próprios filhos.

Somente desta forma e de nenhuma outra, evitaremos que muitas “Valentinas”, sejam abandonadas à própria sorte, pelas mãos de mães desesperadas, cujo desejo e direito, seria nunca ter concebido. Forte, mas verdadeiro, tanto quanto a desnecessária dor do abandono do amor.

Adriana Costa Alves

 

AVISO

Receba gratuitamente notícias da comarca de Biguaçu em seu whatsapp. Clique no link abaixo, adicione nosso número (4898484-7539) e dê um OK.
bit.ly/WhatsJBFoco