Por: Amanda Arruda | 10/03/2018

 

Tu sentiste vontade de jogar xadrez. O tabuleiro está à tua frente. Tu te pões a organizar as peças. As torres estão nas extremidades. Os cavalos vão ao lado das torres. E cada bispo deverá estar ao lado de cada um dos cavalos. Rei e rainha são postos nas duas casas restantes da primeira fileira. Tuas peças são pretas, portanto, a dama estará na casa preta. Por fim, os peões são colocados na fileira à frente. O adversário já arrumou suas peças em seus devidos lugares. O jogo começa. Ele move o primeiro peão.

Movem-se os bispos, rainhas, torres, peões. Fazem-se roques, ant passant, até que o teu oposto ousa colocar teu rei em situação de xeque pela primeira vez. Tens várias opções de sair da enrascada, porém, teu primeiro impulso ordena derrubar o rei e colocar fim a todos os riscos. Tua vontade é salvá-lo de tudo, porém o ímpeto equivocado manda salvar o rei matando-o. Não, não é assim que reages a um risco.

Tu não desististe do jogo e moveste as peças possíveis. Tu deste todo o sangue cerebral que poderias estar a dar naquela batalha. Tu mexeste a dama, posicionaste os cavalos, encurralaste o rei do outro com a torre, e até rainhaste algumas vezes. Vês que estás quase a ganhar e falta pouco. Estavas certo. Não deverias derrubar o rei.

Olhaste para o tabuleiro de xadrez que, tão prosaico e ao mesmo tempo tão complexo, comportava-se como a vida. Muitos momentos serão assim. Tuas impressões serão de que todos os teus alicerces extremos parecerão ruir, toda a tua guerrilha de peões estará em frangalhos e até mesmo a dama parecerá ter se entregado à derrota. Todavia, não!

Nunca tombes teu rei. Tu notaste que sempre há uma chance de aplicar o xeque-mate. Tu estiveste, diante d’agora, ciente de que podes ter as nove rainhas do jogo.

Quem tomba um rei, tomba uma vida inteira. Obrigada por não o teres derrubado. Continues sempre aqui. Porque a vida é um xadrez de luxo e a quantidade de rainhas é ilimitada. Poderás ter quantas damas for de teu desejo e rainhar o tanto que achar necessário. As rainhas virão para os outros e para ti. É só questão de querer. E de fazer acontecer. Nunca tombes teu rei.

 

(*) Amanda Arruda, 16, faz parte da nova geração de escritores de Biguaçu. Quem quiser adquirir o romance “A Heroína que virou Lenda”, entre em contato pelo fone (48) 9-9645-7045 ou pelo e-mail amandaarruda2001@yahoo.com.br.