Por: Josielly Pinheiro Westphal | 01/11/2017

 

Meu telhado é de vidro. Que bom! Assim eu posso ver as estrelas. Eu, você e o resto da humanidade temos um telhado de vidro. Frágil, transparente e capaz de ser atingido por pedras vindas de qualquer lado. Eu e você cometemos erros, alguns menores, outros quase imperdoáveis, alguns que atingem apenas a nós mesmos e outros que atingem várias pessoas ao nosso redor. Assim é a vida, assim somos nós seres humanos.

Faz pouco tempo que aprendi que também posso falhar, faz pouco tempo que aprendi a reconhecer os meus erros e pedir perdão por isso. Foi difícil, foi até dolorido, mas foi libertador. Exigir de nós mesmos e dos outros perfeição só torna a vida mais cansativa e frustrante.

Precisamos reconhecer quando o erro foi nosso e isso não nos torna menos competente, menos amigo ou menos valioso, isso nos torna apenas aquilo que nunca deveríamos esquecer que somos: seres humanos. Nem sempre seremos um bom amigo, nem sempre falaremos as palavras certas na hora certa, nem sempre teremos compaixão do outro, nem sempre desempenharemos nosso trabalho com excelência.

Pode ser que não estejamos num bom dia, pode ser que nosso pneu tenha furado, pode ser que sintamos a dor da ausência de alguém, pode ser que algo tenha nos frustrado, pode ser que nosso chefe tenha sido rude, pode ser que estejamos preocupados com as finanças…

Pode ser muita coisa… E somente quem está na situação é capaz de compreender o que levou a tais erros. É muito ruim quando o erro dos outros interfere diretamente na nossa vida, é muito chato precisar corrigir algo que não foi ocasionado por nós mesmos, é desgastante ver o outro caindo nos mesmos erros.

Podemos sentir raiva sim, podemos ficar magoados, chateados, só não podemos julgar o outro apenas pelo seu erro. Perdão! Palavrinha tão bonita e tão difícil de ser vivida, difícil de pedir e difícil de aceitar.

Perdão aos que pisaram em nós, perdão aos erros que nos arrancaram lágrimas, perdão aqueles que nos julgaram, perdão aos que foram desonestos conosco, perdão a quem não nos acolheu quando precisávamos, perdão aos que descontaram sua amargura em nós.

Perdão pois erros todos cometem, perdão porque estamos longe da perfeição, perdão porque quem não perdoa se machuca mais do que quem cometeu o erro.

Eu perdoo você e perdoo a mim… Pelos erros que já cometi e pelos que ainda cometerei. É fácil? Certamente não, mas quanto mais difícil for de perdoar, quanto mais necessário isso se faz. Não somos imbatíveis, não somos super heróis, não somos de ferro…

Somos de carne e osso, falhas e omissões, amor e ódio. Continuaremos errando, continuaremos sendo seres imperfeitos e continuaremos vivendo.

Olhe pra cima, seu telhado também é de vidro e em relação a isso só existem duas possibilidades: se lamentar pela sua fragilidade ou agradecer por ter um telhado. Eu escolhi agradecer… Mesmo frágil ele me protege e ainda me possibilita ver as estrelas.

 

(*) Sobre Josielly: nasceu em 14 de julho de 1987 no interior de Biguaçu. Iniciou o curso de Psicologia na UFSC com 18 anos onde formou-se e concluiu sua Especialização em Saúde da Família na mesma instituição. Além disso, é pós-graduada em Gestão da Clínica pelo Hospital Sírio Libânes. Desde sempre, apaixonada por livros e por histórias sobre relacionamentos humanos. Teve em Martha Medeiros e Rubem Alves sua inspiração para começar a escrever. Escreve sobre amor, paixão, dor, solidão, medos, perdas e outros temas que envolvem nossa trajetória humana.

 

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