Por: Ozias Alves Jr. | 20/11/2017

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

A primeira edição de “Arauto”, o primeiro jornal da história do município de Biguaçu, foi às ruas no sábado, 16 de abril de 1921. Foi fundado por João Crisóstomo Pacheco (1868-1948). Natural de Camboriú (SC), João criou em sua cidade natal um jornal chamado “O Democrata.”

Em 1921, ele se mudou com a família para Biguaçu. Trouxe a gráfica tipográfica de seu antigo jornal. Aqui fundou o novo jornal, o “Arauto”.

Seu filho, Amaro da Silva Pacheco, na época com 17 anos de idade, tornou-se o gerente.

O jornal circulou de abril de 1921 a dezembro de 1922, ou seja, por um ano e oito meses.

Infelizmente a biblioteca pública do estado só tem os 19 números do ano de 1921. Sobre esses números, preparamos um pequeno especial. Confira.

 

João Crisóstomo Pacheco Fundador da imprensa biguaçuense. (Foto: Livro História do Município de Biguaçu. Iaponan Soares)

 

Amaro da Silva Pacheco filho de João e gerente do 1º jornal da história de Biguaçu. Foto de 1926. (Foto: Livro História do Município de Biguaçu. Iaponan Soares. Pág. 100)

 

1ª EDIÇÃO: SÁBADO, 21 DE ABRIL DE 1921

 

Na primeira edição, que saiu no sábado, 21 de abril de 1921, foi publicado um artigo sobre o perfil econômico de Biguaçu.

Informava que Biguaçu tinha “13” ou “15” mil habitantes. Infelizmente, por causa do estado do papel, não dá de saber se é “13” ou “15”.

Vale lembrar que Antônio Carlos e Governador Celso Ramos pertenciam a Biguaçu. Os “13” ou “15” mil eram a população de toda essa região. Hoje, quase 100 anos depois, a região é habitada por mais de 70 mil habitantes.

Em 1921, Biguaçu era um município exclusivamente agrícola. “ Possue o municipio uberrimas terras com vastas planicies para a plantação do arroz, cana de assucar, milho e feijão”, observa o Arauto. Conservamos a grafia original.

O artigo informa que Biguaçu exportava bananas para o Rio Grande do Sul e “lenha em acha” para Florianópolis. Funcionavam serrarias e havia um estabelecimento para beneficiar arroz e café de “ propriedade do snr. Major José Augusto de Faria, em São Miguel.”

José Augusto de Faria era o “superintendente” de Biguaçu (o que a partir de 1930 passou a ser chamado de “prefeito”). Português de nascimento, José Augusto ocupou o cargo entre 1919 a 1922.

No primeiro número, saiu a seguinte nota: “ Attenção. Considera-se assignante do Arauto todo aquelle que receber o primeiro numero e não o devolver de prompto á redacção.”

 

Notas

Na segunda página, o Arauto noticiava a festa do “clubs de foot-ball Biguaçuénse, “Rio Branco”, dos Coqueiros e “Nova Trento” de Florianópolis.

Nessa occasiáo (10 de abril de 1921) dirigiam-se todos os socios e convidados à casa de residencia do Presidente do Club Biguassuénse”, afim de assistirem ao batismo da bandeira deste club, havendo tambem n’essa ocasiáo uma kermesse em beneficio do Biguassuénse, promovida pelas torcedoras do mesmo.”

 

Donato Alípio de Campos (1864-1952). (Foto: Arquivo JBFoco)

 

Outra nota era a seguinte: “ Para Joinville, onde foi incorporar-se ao Exercito Nacional, por sido sorteado, seguio, dia 5 do corrente, o distinto jovem Caramuru Campos, presado filho do nosso DONATO CAMPOS.”

Tratava-se de Donato Alípio de Campos (1864- 1952). A escola do bairro Prado, inaugurada em 1981, recebeu o nome de “Donato Alípio de Campos”, em sua homenagem. Donato foi professor, entre outras atividades que o projetaram na comunidade.

Na época, Donato Alípio de Campos, como informa o jornal, era o “Tabellião interino da comarca.”

 

Suicídio

Naquela primeira edição, o Arauto noticiou um suicídio. “ Suicidou-se, dia 8 de corrente (08/04/1921), no lugar Trez Riachos, enforcando-se, a inditosa senhora Maria Francisca de Jesus, viuva, com 50 annos, ignorando-se qual o motivo que levou a infeliz victima á esse funestro desenlance.”

 

Farmácia

Além de empresário e “prefeito” de Biguaçu, o já citado José Augusto de Faria era dono da “Pharmacia Popular”. O Arauto publicou o que se acredita ter sido a primeira farmácia do muncípio:

Chamamos a attenção do publico em geral que foi recentemente aberto, na séde desta villa, de propriedade do snr. Major José Augusto de Faria, um importante estabelecimento pharmaceutico, que tomou o titulo de “PHARMACIA POPULAR”, dispondo de pessoal habilitado para aviar, com promptidão o receituario apresentado, vendendo por modico preço os seus artigos.

De ha muito tempo Biguassú recentia-se da falta de uma pharmacia, porém hoje, graças a iniciativa do snr. Major Faria, temos presente e realisado este importante melhoramento.

 

Visita

O Arauto noticiou: “ Visitou-nos familliarmente, acompanhado de sua exma. Esposa, dia 14 do corrente, o nosso bom amigo snr Justino Leal, zeloso Collector Federal desta Villa.”

Justino Leal é o nome de uma rua do centro de Biguaçu, que faz esquina com a “Hermógenes Prazeres”, hoje também conhecida como a “rua da Delegacia”.

 

Morte de ex-escravo

O jornal noticiava na página a morte de um ex-escravo pertencente a Francisco Livramento. Quem era? Não sabemos, mas deve ser o filho ou o próprio “Major Livramento”, hoje nome da principal rua que corta os fundos do bairro Vendaval, Biguaçu.

Fallecimento- Falleceu dia 9 do corrente, na residente do snr. Francisco Livramento, o octagenario Gervasio, de côr preta, ex-escravo do seu finado pae.”

Que pena o Arauto não ter sido fundado anos antes. Quem sabe poderia ter publicado uma reportagem sobre o ex-escravo Gervasio, que poderia ter dado um histórico depoimento sobre a época da escravidão na comarca de Biguaçu.

 

Hermógenes Prazeres. (Foto: Arquivo Família Abrahão Salum Netto)

 

Certa vez, quando fazia um especial sobre a origem de nome de ruas de Biguaçu, o JBFoco perguntou a algumas pessoas de sobrenome Prazeres quem foi “Hermógenes Prazeres”. Ninguém soube precisar quem foi. O ex-vereador Ozildo Prazeres disse que “se tratava de um funcionário da prefeitura de Biguaçu no começo do século XX.

Na página 4, estava escrito: “Hermogenes Prazeres- Secretario da Superintendencia Municipal de Biguaçu.”

Mais tarde vim a saber: Hermógenes é avô de Ozildo Prazeres. Não sei se ele me disse ou não sobre esse parentesco.

 

Impostos

Um anúncio da prefeitura informa a respeito de impostos. “Cobra-se imposto em negocios, industriais carros, carretas, automoveis, engenhos de fabricar farinha e assucar, pilar, serra, alambiques, decimas urbanas, metragem de terrenos.

 

Anúncio de remédio

Naquela edição, saiu um curioso anúncio de um remédio chamado “A Emulsão de Scott”.

Três verdades. 1- Para as pessoas debeis ou doentes. O alcool é um veneno. 2- Para crear forças tende certeza de tomar A Emulsão de Scott. 3- É um preparado legitimo de bacalháo que Não Contem Alcool.”

 

2ª EDIÇÃO: SÁBADO, 30 DE ABRIL DE 1921

 

Na edição cujo editorial reportava-se ao dia 21 de abril, dia de Tiradentes, o jornal denunciava as péssimas condições das estradas de Biguaçu na época:

Por mais uma vez temos recebidos informes para que se reclame ao Poder Pubblico competente do pessimo estado que se acha a estrada geral que parte do Estreito a lugar Fazenda, deste municipio, muito especialmente o trecho a partir desta villa ao referido lugar Fazenda, achando se o mesmo em sua extenção, cheio de enormes baixos onde ficam estagnadas as aguas das chuvas, produzindo grandes atoleiros.”

 

Detalhes

O jornal publicou a primeira carta. Era de um leitor chamado “Oscar” (não saiu o sobrenome), de Ganchos. Datava de “ 16-IV-1921”, a carta tecia elogios ao jornal.

Também noticiava a apresentação de uma peça de “theatro” ocorrida em 23 de abril de 1921.

Os anúncios daquela edição eram do “Elixir do Nogueira”, de outro remédio chamado “Saúde da Mulher” e da “Casa Jorge Salon”. Tratava-se da venda do imigrante sírio-libanês Jorge Salum. Naquela época, Biguaçu tinha uma pequena colônia de sírio-libaneses, cuja maioria tinha o sobrenome “Salum”.

O juiz de direito da época era “Urbano Müller Salles”, conforme saiu um informe naquela edição. Deve ter sido um cidadão tão “gente boa” que anos mais tarde surgiria até mesmo um time de futebol com seu nome.

 

Remédios

Chama a atenção a falta de anunciantes e a abundância de anúncios de remédios.

Os remédios eram do Rio de Janeiro e São Paulo. Para pagar anúncios até mesmo num jornalzinho de um vilarejo como era Biguaçu na época, a demanda por remédios devia ser muito grande e o negócio muito lucrativo.

Vejamos algumas frases de anúncios saídos naquela edição de “Arauto”:

A Saude da Mulher cura incommodos de senhoras.”

Elixir de Nogueira Grande Depurativo do Sangue.”

 

3ª EDIÇÃO: SÁBADO, 14 DE MAIO DE 1921

 

Naquela edição, o Arauto reclamava da falta de um padre em Biguaçu.

É e lastimar-se Biguassú não possuir o seu vigario effectivo, pois assim o tornaria mais desenvolvido em toda a sua actividade. (…) A parochia de Biguassú, no nosso entender, não è tão pequena que não possa manter o seu vigario.”

Isso era 1921. Somente 20 anos depois, em 21 de dezembro de 1941, o então Arcebispo Metropolitano Dom Joaquim Domingues de Oliveira criou a “Paróquia São João Evangelista de Biguaçu” e nomeou o primeiro pároco, padre Antônio Condlick.

 

Cecílio Lisboa: nascimento anunciado no jornal Arauto e com 85 anos em 2006, quando esta foto foi tirada. Hoje ele é falecido. (Foto: Ozias Alves Jr)

 

Naquela edição, localizamos a seguinte nota na página 3: “ Nos participou do nascimento de seu filhinho Cecilio a 29 do mez findo o snr. Serapião Raulino Lisboa, nosso favorecedor e amigo. Agradecemos a participação desejando-lhe também felicidades com o seu novo herdeiro.

Em 2012, seu Cecílio Lisboa era vivo, tinha 91 anos de idade e residia na rua Rosa, Prado de Baixo, Biguaçu.

POST SCRIPTUM (2017): Cecílio Lisboa já é falecido.

 

4ª EDIÇÃO: SÁBADO, 29 DE MAIO DE 1921

 

O Arauto destacava na página 2 a mudança de professor: “Substituindo ao sr. Romeu Dominoni, ex Professor publico desta Vila, foi nomeado o sr. Alexandre Sérgio Godinho, professor interino, nosso presado amigo e assignante. Enviamo-lhe parabens pela sua nomeação, desejando lhe tambem feliz permanencia entre nós.”

Alexandre Sérgio Godinho é hoje o nome de uma escola no Jardim Carandaí, ao lado da Univali, Biguaçu.

No final na página 4, Romeu Dominoni publicou sua carta de despedida.

 

5ª EDIÇÃO: SÁBADO, 11 DE JUNHO DE 1921

 

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946): de onde vem o nome do município de “Antônio Carlos”. Foto: Reprodução Pág. 470 do livro “Alto Biguaçu” (1988)

 

Entre as notas, destacamos: “ Pic-Nic promovido pela gentil senhorita do Districto de S. Miguel realizou-se no domingo ultimo um animado pic nic na aprazivel prainha denominada do “tamanco” na sede desta villa (…).”

“Tamanco” era o antigo nome do que hoje é conhecido como “Praia João Rosa”.

 

O então promotor João (…. inteligível) Pacheco publicava também naquela edição uma nota para que “Pedro Mathias Petry”, do “Alto Biguassu”, “ visse á sede pagar seus impostos atrasados.”

Naquele tempo, não havia essa de direito do devedor não ter seu nome publicado em jornal.

Em outra página, informava a organização do município. Eram quatro distritos, assim denominados: 1- Sede, 2) São Miguel, 3) Ganchos e 4) Louro (Alto Biguassu).

O que hoje é o município de Antônio Carlos era chamado de “Louro” ou “Alto Biguassu” na época.

Por quê? Estamos em 1921, nove anos antes da revolução de 1930, através da qual Getúlio Vargas (1882-1954) tomou o poder.

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946) era o “governador de Minas Gerais” e um dos articulistas da revolução em apoio a Getúlio Vargas.

Vitoriosa a revolução, apoiadores desse movimento na comarca de Biguaçu decidiram trocar o nome de “Louro” por “Antônio Carlos” em homenagem ao antigo “governador” de Minas Gerais.

 

6ª EDIÇÃO: SÁBADO, 25 DE JUNHO DE 1921

 

O Arauto noticiava o nascimento de um filho de Hermógenes Prazeres:

Nascimento. Foi enriquecido com mais um herdeiro, que tomou o nome de Antonio, nascido em 13 do corrente, o lar do presado amigo e sr. Hermogenes Prazeres, competente Secretario da Municipalidade.”

Era inverno. Arauto informou: “ Prejuisos da lavoura- geadas deram prejuisos a canna, banana, café e mandioca.

O mundo passou por grande mudança climática nos últimos quase 100 anos porque hoje não dá em Biguaçu mais as geadas intensas que davam naquela época. Sobre esse detalhe, o historiador Raulino Reitz (1919-1990), autor do livro “Alto Biguaçu (1988)”, chamou a atenção.

 

 7ª EDIÇÃO: SÁBADO, 9 DE JULHO DE 1921

 

Um correspondente chamado “Oscar”, certamente aquele que escreveu a primeira carta do leitor publicada pelo jornal, publicou um artigo informando sobre a fundação do “Club Esportivo Ganchense.”

O Arauto publicou uma denúncia na página 2 sob o título “ Encerramento das Escolas.”

A Escola masculina da sede desta villa é uma das que se conta n’esse numero. N’ella sò se encontra cinco classes imprestaveis, todas repregadas, servindo de banco caixões de kerosene e um mappa do Brasil mais do esfarrapado.”

Na página 3, o Arauto anunciou que o “Foot Ball Clube Biguassuense” lançaria em breve um jornal chamado “O Alfinete”.

 

9ª EDIÇÃO: SÁBADO, 6 DE AGOSTO DE 1921

 

Na ocasião, João Crisóstomo Pacheco ou seu filho Amaro (não há indicação do nome) publicou artigo intitulado “O Jornalismo”. Reclamava das dificuldades que enfrentava na época para fazer jornal.

O motivo era óbvio, como se via nas páginas do próprio Arauto. Não havia publicidade. A pouca que havia era de remédios. O comércio de Biguaçu na época era minúsculo.

Infelizmente, em nossa terra, o jornalismo não chega a ser ainda uma profissão. Ou, antes é uma profissão péssima. Delle, exclusivamente, ninguém vive neste paiz, nem mesmo nos grandes centros onde a imprensa se encontra em desenvolvimento digno de nota”, reclamou o Arauto.

 

Ficar gripado era notícia

O Arauto registrou na página 2: “ Enfermaram nestes ultimos dias o sr. Donato Campos, sua sra e seu filho Caramuru, tendo, porém experimentado todos sensiveis melhoras.”

Por um edital publicado naquela edição, descobrimos que Thomaz Celestino de Souza (1857-1940) era presidente da Junta de Alistamento Militar de Biguassú em 1921.  Em 1925, por causa da renúncia do então “prefeito” (superintendente) José Augusto de Faria por motivo de mudança, Thomaz Celestino assumiu a “superintendência” (prefeitura) de Biguaçu, onde ficou até 1926.

 

Anúncio

Uma costureira chamada Clara Pacheco publicou um anúncio. É um caso trivial. No entanto, lendo anúncios de jornais antigos de Florianópolis, o historiador Oswaldo Rodrigues Cabral (1903- 1978) reconstituiu, em seu livro “Nossa Senhora do Desterro”, o cotidiano da capital catarinense ao longo do século XIX, ou seja, quem foi o primeiro sapateiro, os primeiros farmacêuticos etc.

Como Biguaçu nunca teve jornais antes de 1921, tal tipo de pesquisa é impossível de se fazer, a não ser se houve registros nos jornais de Florianópolis.

 

10ª EDIÇÃO: SÁBADO, 20 DE AGOSTO DE 1921

 

O jornal informa sobre um surto de gripe em Biguaçu.

A Grippe- Sorrateiramente vem se desenvolvendo em nossa villa a pestilenta grippe. Na corrente semana enfermaram (…) os irmão Nilo e Eurico Prazeres, filhos do sr. Hermogenes Prazeres (…) (…) e outras pessoas, cujos nomes, não nos vêm agora em lembrança.”

 

11ª EDIÇÃO: SÁBADO, 3 DE SETEMBRO DE 1921

 

Na edição seguinte, a gripe fez uma vítima em Ganchos. “ Desencarnação- Passou no dia 12 do mez findo da vida material para a vida espiritual, devido a gripp, o sr. João Fermino de Araújo. Correspondente (Ganchos) 1º-9- 1921.”

O jornal usou o termo “desencarnação”, típica dos espíritas. Os redatores do jornal eram espíritas ou o termo foi usado pelo cidadão que enviou a nota de Ganchos?

Em outra nota, o jornal informava que em 3 de setembro de 1921, Alfredo Silva foi reeleito presidente do “Foot Ball Club Biguassuénse”. Vale lembrar que Alfredo Silva, conhecido popularmente como “Fedoca”, tornar-se-ia prefeito de Biguaçu durante toda a década de 1930.

 

 12ª EDIÇÃO: SÁBADO, 01º DE OUTUBRO DE 1921

 

Aquela edição saiu com seis páginas, ao invés das quatro habituais. Na ocasião, saiu uma nota sobre a chegada de ciganos à cidade.

 

 16ª EDIÇÃO: SÁBADO, 12 DE NOVEMBRO DE 1921

 

O jornal noticiava um crime no “Riacho”. Trata-se do antigo nome pela qual era conhecida a atual rua 7 de Setembro, no centro de Biguaçu.

Deu se, na séde desta villa, á rua 7 de Setembro, lugar Riacho, casa da viuva Albertina Husadel de Amorim, um repugnante crime de infanticidio, que tem alarmado o espirito desta pacifica população.

Albertina Husadel, viuva, com 40 annos presumiveis, mulher bem espirituosa e disposta, em consequencia de suas leviandades achou se pejada, e dado á luz de vida o fructo dos seus illicitos amores, dia 28 de outubro findo, querendo ocultal-o á vista de sua visinhança e dos seus parentes que, diz ella, respeita muito fez desapparecel-o de um modo barbaro estrangulando ou mandando estrangular o inocente entrevando-o nos fundos da dita casa, sob uma espessa parreira que ali existia, envolvendo a innocente victima, com os restos que lhes secundaram ao parto, em pannos e dentro de um balaio!”

 

17ª EDIÇÃO: SÁBADO, 26 DE NOVEMBRO DE 1921

 

Foi publicado um artigo sobre uma viagem a Ganchos. Foi assinado por “J.P”. Certamente deve ser “João Pacheco”, o dono do jornal.

O jornal informava sobre o “imposto sobre carro de boi.” Afinal, a prefeitura tinha de ter alguma arrecadação.

Naquela edição, saiu um anúncio no qual um cidadão chamado Ildefonso Teixeira dizia: “ Permaneci um mez num hospital.” Em seguida, dizia: “ Ildefonso Teixeira, firmas reconhecidas sobre o depurativo Elixir do Nogueira.”

 

18ª EDIÇÃO: SÁBADO, 10 DE DEZEMBRO DE 1921

 

Na ocasião, saiu a seguinte nota: “ De Ganchos tambem nos participaram do nascimento de sua filhinha Dinah, em 29 do mês findo (novembro), o sr. Seraphim Simão Alves, nosso assignante, e sua Exma. Esposa D. Alice Maria Roque.”

Em 2004, a Prefeitura de Governador Celso Ramos inaugurou uma biblioteca municipal em Ganchos do Meio (que acabou desativada em 2009).

A esta biblioteca, foi dado o nome de “Alice Maria Roque” pois ela foi a primeira professora daquela comunidade, segundo informa Belarmino Azevedo, pai do ex-prefeito daquela cidade, Neri Luz de Azevedo. Belarmino faleceu em 18 de fevereiro de 2009 aos 101 anos de idade.

A direção da biblioteca tentou fazer uma pesquisa sobre a vida de Alice Maria Roque, mas não conseguiu reunir uma linha sequer por falta de documentos para consultar.

Localizamos essa nota no “Arauto”. Na realidade, com o advento do computador, jornais, revistas, documentos, enfim, papéis avulsos, podem ser escaneados e “indexados”.

Se tivesse tal iniciativa por parte do poder público, para pesquisar “Alice Maria Roque”, bastaria digitar o nome no computador e, em poucos segundos, na tela apareceriam os locais onde constam registros desse nome.

Aí era só acessar e fazer a pesquisa.

 

19ª EDIÇÃO: SÁBADO, 31 DE DEZEMBRO DE 1921

 

Infelizmente é a última edição de “Arauto” nos arquivos da Biblioteca Público do Estado de Santa Catarina, nos altos da rua Tenente Silveira, centro de Florianópolis.

De acordo com Iaponan Soares, autor do livro “História do Município de Biguaçu” (1988), o Arauto circulou até dezembro de 1922, quando fechou definitivamente suas portas.

 

(Redação: Ozias Alves Jr. E-mail: ozias@jbfoco.com.br . JBFoco, 2006)