Por: Ozias Alves Jr. | 24/09/2018

A família da qual falaremos é real e mora em Florianópolis. Seu Carlos, 76, é neto de uma índia casada com um português que viviam no sul do estado de Santa Catarina. Mesmo à distância de quase um século, sr. Carlos ainda continua herdando integralmente todos seus traços indígenas. Sua esposa é uma senhora de origem italiana, filha, neta e bisneta de italianos em todas as ramificações. Parece até que tem um certo parentesco com o famoso Giuseppe Garibaldi (1807-1882).

O casal tem três filhas, todas com traços indígenas, mas só de aparência, pois a mentalidade é de italiana. Ruidosas, às vezes escandalosas e falantes ad extremis que adoram contar novidades, apreciadoras de massas, são umas italianas, apesar de não falarem italiano.

Uma das filhas casou com um engenheiro paulista, filho de pai descendente de italianos e mãe judia com ancestrais alemães, mistura esta que explica os olhos azuis do filho e seus cabelos aloirados.

Este engenheiro e a filha de seu Carlos têm um casal de filhos, ambos com feições europeias, isto é, aparentemente não há traço indígena nas feições das crianças, apesar do avô materno ter feições tão indígenas que, se colocar o cocar, passa-se por xokleng ou kaingang sem o mínimo esforço.

Esta é uma família bem brasileira, uma mistura de bolo completa de açúcar, sal, trigo, fubá, orégano, manjericão, tomate, beterraba etc.

Certa vez, ao ler uma reportagem a respeito de que a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) iria implantar o sistema de cotas, o genro de seu Carlos não resistiu a uma piada: “Seu Carlos, vá na Funai (Fundação Nacional do Índio), declara-se índio para que seu neto possa no futuro fazer o vestibular da UFSC na cota dos índios.”

A filha de seu Carlos, mãe do garoto que hoje tem 15 anos de idade, não achou muita graça da piada, mas se o menino realmente fosse declarar-se “descendente de índio” na inscrição do vestibular, não estaria faltando com a verdade, apesar de seus cabelos aloirados, seus olhos claros e seus traços europeus caucasianos.

Se esse menino já tivesse 18 anos e feito a inscrição do vestibular do ano passado declarando-se “índio”, certamente ele estaria hoje no centro do escândalo que acabou de estourar na UFSC: o da “suspeita” de fraude nas cotas raciais.

A história é bem simples: certos estudantes inscreveram-se na cota dos negros, pardos e indígenas, mas não aparentam ser dessas raças. Parece até que tem “dinamarquês nórdico, viking” que se declarou “negro” só para conseguir sua vaga na UFSC, cujo ingresso é disputadíssimo pelo fato de que é uma universidade gratuita.

Na realidade, desde que surgiu essa história de “cotas raciais”, o escândalo não iria tardar de aparecer. Se o critério de avaliação se pode ou não inscrever-se nas cotas é o “olhômetro” ou a “aparência”, aí é problemático. Por quê?

Um exemplo já resume toda a questão. Por exemplo, o famoso sambista carioca, Luiz Antônio Feliciano, 69, o “Neguinho da Beija Flor”.

Neguinho, que se submeteu a um teste de DNA, tem mais genes caucasianos europeus do que africanos, isto é, mesmo com aparência de afrodescendente, Neguinho é mais europeu do que africano devido a inúmeros ancestrais portugueses ao longo de sua árvore genealógica.

Se Neguinho tivesse inscrito na cota dos “negros” e alguém querendo sua vaga alegasse o teste do DNA, Neguinho certamente teria de devolver a vaga por não ser “negro”. Pelo menos, não a nível de DNA.

Em resumo: Cotas Raciais é algo muito complicado.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

 

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