Por: Ozias Alves Jr. | 06/11/2018

Uma senhora chamada Clarisse da Costa publicou “Os Negros do Sul”, artigo este disponibilizado no seguinte link

Artigo de Clarisse da Costa – Os negros do sul

 

Nada contra o artigo histórico publicado nesta terça, 6 de novembro de 2018, mas é necessário chamar a atenção da autora por ter mencionado algumas histórias sobre o tema escritas por mim, mas não ter citado-me a autoria. Explico.

Clarisse citou o enforcamento do escravo Rafael em 1844 em São Miguel. Essa história foi publicada por mim em meu jornal especial “Biguaçu: 251 anos de História”, de 1999.

Em 15 de novembro de 2017, publiquei meu artigo “Baguás: os negros reprodutores de São Miguel”, texto este extraído do jornal de 1999. Certamente este foi a matéria consultada por Clarisse para a elaboração de seu artigo.

Nada contra, mas deveria ter informado a fonte, pois quem fez a pesquisa fui eu, com vários detalhes inéditos descobertos por mim, principalmente pelo fato de eu ter entrevistado um senhor, hoje já falecido, que me revelou histórias antes não registradas. O artigo em questão está disponibilizado no seguinte link:

 “Baguás”: Os negros reprodutores de São Miguel

Clarisse também baseou-se num outro artigo meu publicado tanto no JBFoco impresso como também na internet. Na versão online, o texto foi divulgado em 24 de outubro de 2017. A mesma matéria foi publicada na edição de 10 de agosto de 2007 do JBFoco. O título é “Historiador revela fazendas sexuais de Antônio Carlos no século XIX”. Eis o link:

Historiador revela fazendas de “Sexo livre” de Antônio Carlos do Século XIX 

Neste caso, trata-se de uma matéria minha em que entrevistei o historiador Rogério Kremer. Clarisse baseou-se em várias informações deste artigo, mas não citou tanto a minha pessoa (o autor) como também o historiador Rogério Kremer (o descobridor das informações).

 

OBSERVAÇÃO

Ao contrário de vários outros autores que já denunciei, Clarisse não praticou plágio. Vamos deixar isso bem claro, isto é, não fez “control C + control V” transcrevendo ipsis litteris meu texto original e depois assinando com seu nome como se fosse obra sua.

No entanto, ela usou a estrutura de parte de meu texto, notoriamente bebendo da minha fonte.

Repetindo: não tem problema. Só que deveria informar aos leitores a fonte de onde extraiu as informações. Só isso. Publicando palavras como “segundo”, “conforme”, “de acordo com”, “na página tal” ou acrescentando um índice bibliográfico, a autora estaria sendo precisa sobre como realizou a pesquisa.

Cite as fontes sempre. Quando as informações vêm de sua própria pesquisa inédita, entende-se não serem necessárias, mas aqui não foi o caso.

Por que estou chamando a atenção para isso? É que no futuro pretendo publicar, se der tudo certo, um livro de história de Biguaçu com a coletânea de meus artigos. Já publiquei muita informação inédita sobre a história regional. Alguns dos artigos custou-me suor, pesquisa, procura, telefonemas, entrevistas, leituras, sola de sapato, gasolina etc.

Seria problemático alguém querer afirmar que eu fui “plagiador” afirmando que meu texto está “igual” ou “parecido” com o de algumas pessoas, quando o correto é que meus artigos publicados tanto na versão impressa do jornal Biguaçu em Foco como também na internet são anteriores a tais autores. Entenderem o problema?

 

EXEMPLOS

São vários os casos. Puxando-os de memória: teve um cidadão que mora no Rio de Janeiro que teve a cara de pau de enviar-me seu livro de história de Porto Belo citando ipsis litteris um texto meu sobre a origem dos índios carijó, material este elaborado a partir de uma entrevista que fiz com o antigo cacique da aldeia guarani mbyá de Biguaçu.

O texto era meu com informações de meu entrevistado e havia sido publicado no já citado encarte especial do JBFoco intitulado “Biguaçu: 251 anos” (1999).

No entanto, o cidadão usou meu texto ipsis litteris, não citou meu nome em momento algum e, ainda por cima, integrou-o a seu livro como se fosse de sua autoria.

Houve outro cidadão que pegou meu artigo sobre a história de José Brasilício de Souza, hoje nome da escola mais antiga de Biguaçu, e não teve dúvida: assinou seu nome como se o texto fosse de seu próprio punho e publicou-o, com o agravante de ter sido num livro de importante entidade cultural, um fato realmente muito lamentável.

Teve uma senhora que também fez o mesmo. Pegou um texto de história meu e não teve dúvida: publicou um livro sem informar ao leitor a autoria de inúmeros trechos de sua obra.

E poucos anos atrás, a Câmara de Vereadores de Biguaçu publicou um livro sobre a história dessa instituição.

Até aí, nada demais. O problema foi um cidadão que redigiu parte dos textos ter apresentado uma história sobre a emancipação política de Ganchos (Governador Celso Ramos) e Antônio Carlos em 1963.

Ao final, o cidadão elencou livros de onde “extraiu” as informações sobre os bastidores de tal emancipação, mas não citou o JBFoco nem minha pessoa. O interessante foi que os livros supostamente “consultados” não registraram em momento algum as informações que citou, pois o relato vem do Biguaçu em Foco de 1995 quando entrevistei o principal personagem da emancipação, Miguel Flôr, que veio a falecer em 2001.

O JBFoco registrou o fato até então inédito. Padre Raulino Reitz (1919-1990), em seu livro “Alto Biguaçu” (1988), publicou um capítulo sobre a emancipação, mas não entrevistou Miguel Flôr. O único que o entrevistou foi o JBFoco e publicamos a história dos bastidores num ângulo inédito, inclusive sobre a inusitada tática de Miguel de impedir os vereadores de tomarem um cafezinho num bar do andar térreo do prédio onde se encontravam no dia em que estavam votando a emancipação de Antônio Carlos e Governador Celso Ramos.

O cidadão citou essa história, mas cometeu dois grandes pecados: 1) faltou com a verdade ao citar livros onde tal história em momento algum foi apresentada e 2) “bebeu” do JBFoco, mas não informou a autoria.

Portanto, se no futuro alguém acusar-me de “plagiador”, tome cuidado, pois sou a “vítima” e não o autor desse pecado mortal no mundo das letras, pois vale lembrar que plágio é problemático. No meio acadêmico, por exemplo, é crime, podendo o pesquisador que, usando texto alheio sem citar a autoria, conseguir seu mestrado ou doutorado, perder seus títulos caso a denúncia for comprovada. E a prova é a ordem cronológica, isto é, quem primeiro publicou.

E Clarisse. Continue publicando seu artigos, mas seja rigorosa na citação de suas fontes. Este é o conselho a ser dado.

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