Por: Ozias Alves Jr. | 14/11/2018

 

Há pouco tempo, terminei de ler o livro “O Pêndulo-Léon Foucault e o triunfo da ciência” (2003), de autoria de Amir D. Aczel.

Trata-se da história do cientista francês, Léon Foucault (1819-1868), que comprovou em 1851, através de um experimento com pêndulo, usando uma abordagem completamente diferente e inédita, que a terra gira em seu próprio eixo, comprovando cientificamente essa questão que séculos antes levou Galileu Galilei quase a morrer na fogueira, à execução de Giordano Bruno e a queima do livro de Copérnico, que escreveu que o sol não gira em torno da terra, mas o contrário.

Aqui não tenho espaço para detalhar o experimento, a história de Foucault e a sua genialidade.

Mas por que estou falando disso? O que Biguaçu tem a ver com isso?

O assunto não tem nada a vem com o município, que nunca teve nada com ciência. Nunca teve qualquer tradição em ciência, cientistas ou coisas do gênero.

Mas fiquei imaginando o seguinte: se algum “maluco” reproduzisse o experimento do “Pêndulo de Foucault” em Biguaçu. O experimento é na realidade um cabo de aço e uma chapa com “riscos”. Qual o significado? Aí vem a figura do instrutor para explicar em palavras simples o significado do pêndulo e a grande verdade científica.

Qual a aplicação prática disso? Em primeiro lugar, um experimento para ensinar aos estudantes secundaristas a trigonometria (para os desavisados, não é “medir trigo”, como poderia sugerir o termo “TRIGOno” junto com “metria”, que significa “medir” em grego).

Fico imaginando o pêndulo sendo usado como uma atração turística, dentro do esforço de Biguaçu em criar toda sorte de atrações para trazer uns 5% de um milhão de turistas que, segundo as estatísticas, passam pela vizinha Florianópolis.

É verdade que não existe um só biguaçuense cientista que dedicou a vida ao estudo do “Pêndulo de Foucault” nem ligação com a França. Mas se fizéssemos a “maluquice” de instalar um pêndulo (o maior possível dentro das nossas possibilidades financeiras que nunca são as ideais) e se o município não poupasse esforços para divulgar a atração (a prova científica irrefutável de que a terra gira em seu próprio eixo) e, com o devido instrutor explicando ao público em linguagem simples os detalhes do experimento e seu valor para a Ciência, acredito que, com uma criatividade aqui, outra ali e uma terceira, quarta, sétima acolá, vamos atraindo turistas que estão em Florianópolis para dar uma “corridinha” aqui em Biguaçu.

O “pêndulo”, cujos detalhes são de matemáticos e físicos, é apenas um detalhe. Mas como é um material simples, não vai custar o olho da cara. Por isso, essa ideia talvez não seja tão “maluca” assim. Repito: a ideia principal não é o experimento em si, mas o turismo, atrair visitantes e, consequentemente, dinheiro e negócios para o município.

Não importa se seja um “pêndulo”, uma réplica do “Cristo Redentor”, uma estátua da Virgem Maria tamanho gigante, um “elefante de plástico”, um “dinossauro”. Aliás, espera aí: em Tijucas tem um na praça com a estátua de um dinossauro em concreto, colocado lá por um ex-prefeito da década de 1980 e que acabou sendo considerado “louco”, mas ele encabeçou a “maluquice” e o “bicho” está lá até hoje para a alegria dos que gostam de tirar “selfies”. Até um amigo meu da Argentina tirou fotos do dito dinossauro, que, aliás, fica perto da casa da minha tia.)

Antes de me chamarem de “maluco do pêndulo”, vejam se não é “maluquice” Biguaçu ter um morro com uma vista panorâmica de Florianópolis e não ter um só mirante para atrair os turistas que abarrotam a vizinha capital.

E como cantou o “Maluco Beleza” Raul Seixas, “e no final, o maluco sou eu”.

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