Por: Ozias Alves Jr. | 20/09/2018

Acredita-se que a solução para os congestionamentos nas pontes de Florianópolis seria o transporte marítimo, mas simplesmente é inviável, segundo a visão do diretor do Centro Náutico de Biguaçu, Fernando Henrique Horn, cujo estaleiro situa-se às margens do rio Biguaçu, ao lado da ponte da BR-101, no final do centro da cidade. Analisemos os argumentos dele.

Fernando salienta que infelizmente o transporte marítimo é caro. Um catamarã ou qualquer outra embarcação gasta considerável quantidade de combustível porque precisa ter mais energia para impulsão contra as correntes aquáticas. Por isso, a tarifa será sempre mais cara do que a de ônibus.

“Não inventaram ainda um transporte individual mais barato do que o terrestre. É por isso que até agora não instalaram o transporte marítimo em Florianópolis”, observa.

De acordo com Fernando, há um outro contratempo: o enjoo que muita gente tem ao viajar de embarcação devido à ondulação do mar.

“A gente já vê pelas escunas que transportam turistas entre Florianópolis e Governador Celso Ramos durante a temporada de verão. Mesmo numa pequena distância, há passageiros não acostumados com o mar que passam mal e, inclusive, quando chegam ao destino, recusam-se a retornar pela escuna. Voltam para Florianópolis em ônibus porque quem nunca teve um enjoo no mar não imagina quão desagradável é isso”, observa Horn.

Consequências práticas: se Florianópolis vier a ter transporte marítimo, muitos dos usuários que tiverem seus primeiros enjoos, mesmo com ondulação baixa no mar, certamente não vão mais embarcar, ou seja, voltarão aos velhos ônibus. Isso nem estamos falando da passagem que, no barco, será inevitavelmente maior, inviável para quem precisa ir para a capital trabalhar todos os dias.

“Se instalou uma ponte, acabou. O transporte marítimo não se estabelece”, observa Fernando. Como Florianópolis tem três pontes, o transporte marítimo acaba ficando em plano secundário e, no caso da capital catarinense, nem existe.

“Para resolver o problema dos engarrafamentos de Florianópolis, só construindo mais pontes, quem sabe uma no sul e outra no norte da ilha. Infelizmente serão pontes tão extensas como a Rio-Niterói, mas não tem jeito. A solução é mais ponte uma vez que o transporte marítimo não tem como prosperar conforme salientei antes”, observa Fernando com a autoridade de trabalhar com a navegação a vida inteira.

Horn cita o caso de Ilha Grande (RJ) e Ilhabela (SP), paraísos turísticos do litoral brasileiro.

“Nessas ilhas, uma próxima à cidade de Angra dos Reis (RJ) e outra quase colada a São Sebastião (SP), o transporte marítimo prosperou por um único motivo: não há pontes. Não tem como chegar nessas ilhas a não ser por embarcações. Quem tiver enjoo marítimo, nem vai. Por não ter ponte, o transporte marítimo prosperou, o que não é o caso de Florianópolis”, observa.

Cogitou-se construir pontes nessas duas ilhas turísticas, mas foi rechaçado. Por quê? Foi uma decisão política, isto é, que as ilhas seriam preservadas para focar apenas no turismo. Se construíssem pontes, logo viria a urbanização, os prédios, a população sextuplicaria e o paraíso das praias sofreria um abalo inevitável.

“Ao proibir as pontes, Ilha Grande e Ilhabela perderam em crescimento urbano, negócios, de serem cidades maiores, mas, com a decisão que tiveram, recompensaram as “perdas” com o turismo e qualidade de vida. Florianópolis, a partir do momento que recebeu uma ponte, selou seu destino: cresceu. Por que as praias de Florianópolis estão poluídas? Porque a população cresceu demais. Não há como ser um paraíso turístico no meio de uma metrópole. É preciso escolher. As duas coisas não andam juntas”, resume Fernando.

 

Ozias Alves Jr

ozias@jbfoco.com.br

 

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