Por: Ozias Alves Jr. | 26/09/2018

No Brasil, tudo é problema, pois em tudo tenta-se dar um jeitinho. E foi o que aconteceu com as tais “cotas raciais”, isto é, reservar parte das vagas no vestibular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) para negros, pardos e índios.

O assunto acabou virando um novo escândalo na UFSC, como se já não bastasse o escândalo da Educação à Distância que levou até um reitor ao suicídio após ter sido preso pela Polícia Federal e humilhado na prisão ano passado.

A nova polêmica da UFSC é simples: teve cidadão branco que se autodenominou “negro” ou “pardo”, quando não “índio”, só para garantir uma vaga na disputadíssima universidade pública em questão. Seria como se um corredor de maratona fosse flagrado pegando carona de carro para chegar mais rápido nas proximidades da linha de chegada.

Entre 2015 a 2017, 114 alunos ingressaram na UFSC prestando vestibular pelo sistema de cotas. Declararam-se negros, pardos ou índios. Desses alunos, 40 estão sendo investigados se não teriam fraudado o tal sistema de cotas declarando ser de uma raça da qual não são.

Esses cidadãos aparentam ser brancos, de origem europeia, e são acusados de terem usado da “esperteza” para disputar vaga no vestibular onde teoricamente a concorrência seria bem menor.

E a coisa criou uma proporção tal que muitos desses alunos simplesmente tiraram suas fotos do Facebook com o objetivo de “sumirem” e não serem hostilizados pelos alunos de movimentos negros que acham que a política que os beneficia está sendo burlada pelos “espertinhos”.

Mas espera aí. Como definir se o cidadão é negro, pardo ou índio? Pela aparência (fenótipo)? Pela simples declaração do indivíduo tomando sua palavra como “fé pública”? A própria UFSC não vê que isso é problemático, ou seja, definir as coisas pela sua pura aparência?

Como diz o ditado, as aparências enganam. Um garrafa de líquido amarelado pode ser um monte de coisas: whisky, guaraná, energético, suco de alguma fruta cítrica, óleo diesel, gasolina ou até mesmo urina.

O “olhômetro” engana. Tanto é que houve o caso absurdo de gêmeos filhos de mãe negra e pai branco que, ao se inscreverem numa universidade pelo sistema de cotas, um foi classificado “negro”, mas o outro foi barrado por ser considerado “branco”, mesmo sendo ambos gêmeos univitelinos (idênticos, isto é, um xerox do outro).

Talvez a solução é bem mais simples do que parece, daria uma pá de cal em toda a polêmica e acabaria com esse blá-blá-blá que não leva a nada, apesar de ser um pouco cara: análise de DNA em laboratório.

Sim, pelo DNA. É possível indicar qual a porcentagem de alguém ser branco, negro ou índio. O cidadão pode ser branco de olhos azuis, mas se o teste disser que seu DNA tem mais percentual afro e se o mesmo tentou vaga no sistema de cotas, ninguém poderá contestar dizendo que o cidadão não é “negro”, apesar do seu “fenótipo”.

É verdade que o Neguinho da Beija Flor, como o apelido já indica a respeito de seu “fenótipo” afro, não poderia tentar sua vaga no vestibular pelo sistema de cotas, pois seu exame de DNA indicou ter mais gens europeus do que africanos. Essa será a “desvantagem” do teste de DNA: nem sempre as aparências virão coincidir com os percentuais numéricos a serem indicados.

Apesar dos pesares, é um teste científico. Ciência é ciência. É precisa. Não é “olhômetro”. E ajuda a clarear as ideias.

 

Ozias Alves Jr

E-mail: ozias@jbfoco.com.br

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