Por: Ozias Alves Jr. | 06/11/2018

A intenção do governador Eduardo Pinho Moreira é esta: ao sair do governo, novamente assumir a presidência do único partido de sua história política, o MDB. Ele conversou sobre isso ontem, em reunião-almoço na Casa D’Agronômica com os deputados estaduais da sigla, inclusive os que assumirão o mandato no ano que vem, e também com os prefeitos Gean Loureiro, de Florianópolis, e Udo Döhler, de Joinville.

A conversa foi um pouco mais direta com o presidente da bancada do MDB na Assembleia, deputado estadual Carlos Chiodini, que no próximo ano começa o mandato na Câmara federal. Chiodini havia demonstrado a vontade de montar uma chapa para concorrer na convenção do partido, prevista inicialmente para o mês que vem.

O governador Eduardo Moreira declarou à reportagem da Coluna Pelo Estado que não vai para a disputa. “É claro que não disputarei. Se depois de tudo o que passei não tiver a confiança para presidir o partido… fiz concessões, desisti da candidatura para não dividir o partido. Talvez até tivesse um resultado melhor, pelo próprio domínio sobre os assuntos do Estado.” Fontes ligadas ao MDB acreditam, no entanto, que a convenção será adiada para 2019.

Alinhamento

Mais de 150 representantes das executivas municipais do PSL-SC, além dos deputados eleitos e os suplentes, participarão, na noite desta sexta-feira (9), em Águas Mornas, de uma reunião fechada para tratar sobre o fortalecimento da sigla a partir de 2019. O encontro será coordenado pelo presidente do PSL no estado, Lucas Esmeraldino, que saiu da campanha ao Sendo como uma das maiores forças políticas da última eleição. De partido que, em março deste ano, não tinha sequer uma executiva municipal organizada, saltou para o que elegeu não só o governador, mas também dez deputados, sendo quatro federais e seis estaduais. Em apenas cinco meses a sigla já contabilizava mais de 150 provisórias municipais atuantes. Tudo sob a direção do presidente estadual, escolhido pessoalmente pelo agora presidente eleito, Jair Bolsonaro. 

Nós tentamos falar com o deputado Carlos Chiodini, para saber se, apesar da declaração de Moreira, irá manter a disposição de disputar a presidência do MDB-SC. Mas ele estava em voo para Brasília e não foi possível o contato até o fechamento desta edição. No Distrito Federal ele terá reunião na Fundação Ulysses Guimarães, já que preside a FUG-SC. E também foi escolher seu novo gabinete, que provavelmente será o do deputado federal Mauro Mariani, que disputou o governo do Estado nas últimas eleições e preside o MDB em Santa Catarina.

Mas conseguimos conversar com o deputado reeleito para a Assembleia Legislativa Valdir Cobalchini, que também participou da reunião-almoço com o governador Moreira. O deputado disse que a maior parte da reunião foi dedicada a um resumo das conversas sobre transição. E apelou para que se votem matérias importantes ainda em 2018, incluindo aí a proposta de reforma administrativa que deve ser apresentada pela equipe do governador eleito, Comte Moisés. Segundo Cobalchini, houve uma manifestação dos deputados quanto ao tempo exíguo para isso, além do fato de que nem todos os que estavam na reunião voltarão na próxima Legislatura. “Seria uma tramitação muito atropelada. O consenso é que teremos boa vontade com o governo, mas aconselhamos que a reforma seja encaminhada depois da posse do novo governador.”

Pá de cal Uma das resistências da bancada do MDB é que, pelo que tem sido anunciado por Moisés, será proposta a extinção das ADRs (antigas SDRs), estruturas criadas pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira e por muito tempo patrimônio político do partido. “Como nós votar pela extinção das ADRs durante o nosso próprio governo? Nós criamos e nós vamos botar a pá de cal?”

Renúncia fiscal Tema constante nos debates e nas entrevistas do período eleitoral, a renúncia fiscal fez parte das conversas entre o governador Eduardo Moreira e o governador eleito, Comte. Moisés. Em entrevista concedida ontem à tarde, em seu gabinete, à reportagem da ADI-SC e da Adjori-SC, Moreira declarou que não pôde “mudar as regras do jogo” porque há renúncias em andamento, dentro do prazo concedido. Os que estão em fase final, estão sendo revistos para definição de renovação ou não. “Essa revisão ele (Moisés) vai ter que fazer, de forma gradativa. Não adianta chegar com o facão”, aconselhou Moreira. A íntegra da entrevista será publicada na próxima quinta-feira (8) pelos mais de cem veículos da rede formada pela parceria ADI/Adjori.

Andréa Leonora

Editora Coluna Pelo Estado

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