Por: Ozias Alves Jr. | 18/10/2018

Faleceu na manhã de hoje (quinta, 18/10) a sra. Vilma Antônio de Azevedo. Ela tinha 87 anos de idade. Viúva do ex-prefeito, João Brasil de Azevedo, Vilma nasceu em 15 de fevereiro de 1931.

Filha de imigrantes sírios que se estabeleceram em Biguaçu, dona Vilma teve quatro filhos: Henrique, Hermes (Minho), Antônio Carlos (Tuquinha) e Leandro Azevedo (in memoriam- homenageado com o nome da escola da APAE de Biguaçu).

Avó de Marina Azevedo, Bruna Ncs, Murilo Azevedo, Duda Traebert, Ana Claúdia Azevedo , Mariana Azevedo, Luiza Traebert e de Rafaela Azevedo (in memoriam) e bisavó da Alice e da Laura.

O velório de dona Vilma ocorrerá hoje (quinta, 18/10), a partir das 13h, na capela mortuária do cemitério do Fundos. O sepultamento ocorrerá às 17h.

Resquiescat in Pace! Descanse em Paz!

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

Salmo 23:1-6

 

Em anexo, a história do falecido esposo de dona Vilma, João Brasil de Azevedo (in memoriam), prefeito de Biguaçu entre 1977 a 1982.

 

João Brasil de Azevedo (1927-2002). (Foto: Arquivo JBFoco)

 

João Brasil de Azevedo começou sua carreira na política durante um grande apuro. Era 1938 quando policiais vindos de Florianópolis invadiram Biguaçu para prender militantes do Partido Integralista, cujo líder era José João Müller. O pai de João Brasil, Geraldino Atto de Azevedo, conhecido pelo apelido de “Poeta de Biguaçu”, estava envolvido com aquele partido proscrito por Getúlio Vargas.

Tenso e temeroso, Geraldino pediu ao pequeno João Brasil que escondesse imediatamente seus livros de filosofia integralista. Em horas de tensão antes da chegada do destacamento policial, o garoto, de apenas 11 anos, temia sair às ruas com os livros, podendo ser pego, incriminando o pai. No impasse do que fazer, resolveu da maneira mais prática: escondeu os livros no assoalho da casa da família, onde era até pouco tempo atrás o Bazar Nelita, em frente a Praça Nereu Ramos. Ora, seria um dos primeiros locais que os policiais checariam. Mas Geraldino escapou da revista. Pediu ao então delegado da cidade, João Dedinho, e ao prefeito Alfredo Álvares da Silva (Fedoca) para que não fosse preso. Pedido atendido. Dedinho e Fedoca eram cunhados de Geraldino.

Na repressão aos integralistas, os líderes do partido, José João Müller e Dominik Reitz foram presos e sofreram tortura física e psicológica. A família Azevedo escapou dessa humilhação.

Mas a humilhação de ter o partido perseguido traduziu-se mais tarde na filiação em massa dos ex-integralistas à UDN, agremiação política anti-Getúlio que surgiu em 1945, após a queda do ditador. Entre os filiados da nova sigla, já homem feito, João Brasil de Azevedo.

Nascido em 22 de abril de 1927, em Biguaçu, João Brasil de Azevedo era um dos garotinhos que marchavam pela rua central de Biguaçu às quintas-feiras na tropa dos integralistas locais, vestidos com camisas verdes e batucando ao ritmo militar. Imitavam os nazistas com suas famosas paradas.

Ao invés de gritarem “Heil Hitler” (Salve Hitler), cumprimentavam-se com um sonoro “Anauê” (‘Salve’ em tupi-guarani). Os integralistas eram um tipo de “nazistas” brasileiros, mas com uma grande diferença. Os integralistas não eram racistas como os nazistas. Não pregavam morte aos judeus e a outras raças. Inclusive entre os integralistas encontravam-se negros, i.e, afrodescendentes.

Em 1947, morreu o pai. João Brasil, como o filho mais velho entre cinco irmãos, assumiu a casa e o comércio da família. Trabalhou no ramo até 1962, quando foi nomeado escriturário do Correios e Telégrafos. Antes disso, Azevedo fora presidente do diretório municipal da UDN.

Foi Vice-Prefeito na administração Lauro Locks (1973-1976). Com exceção do pequeno trecho na praça central e uma parte da rua 7 de Setembro, Biguaçu não tinha ruas pavimentadas. Quando elegeu-se prefeito para o mandato de 1977 a 1982, pela Arena (depois PDS e hoje PPB), Brasil investiu em calçamentos de algumas ruas como a Major Livramento (que dá acesso a Antônio Carlos) e a Brigadeiro Eduardo Gomes (em São Miguel).

Se na época de Hugo Amorim a arrecadação era mínima, já na época do mandato de João Brasil a prefeitura começava a ter uma receita crescente. Afinal, a cidade crescia e já havia indústrias e comércio nascentes. Em função, Azevedo teve condições de investir em aquisição de máquinas e em obras, entre elas, o prédio da prefeitura de Biguaçu em que abrigasse a Câmara de Vereadores e um auditório, algo até então inexistente no município.

Em 12 de setembro de 1982, o prédio foi inaugurado e recebeu o nome de “Paço Municipal Geraldino Atto de Azevedo”, em homenagem ao pai de João Brasil. A homenagem àquele poeta partiu da Câmara de Vereadores.

Após a prefeitura, João Brasil não se candidatou mais. Passou a atuar como dirigente partidário. Filiou-se ao PFL, legenda em que está filiado até hoje. É um “cabeça-pensante” na política de Biguaçu, respeitado por seus conselhos.

 

POST SCRIPTUM: João Brasil de Azevedo faleceu em 23 de julho de 2002.

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