Por: Ozias Alves Jr. | 08/11/2018

Luiz Anderson dos Reis se diz um apaixonado incorrigível porque “gosta e ama a profissão de professor.” Toda sua vida foi dedicada à educação. Foi professor primário, secundário e universitário, ocupou cargos públicos ligados à educação e, como vereador por Biguaçu, também atuou tocando na mesma tecla do ensino e escolas. Teve uma meta na vida que conquistou nos últimos anos:  ser dono de escola. “Não morreria em paz se não tivesse tido meu próprio colégio”, comenta Luiz.

Reis nasceu em Palhoça em 14 de outubro de 1939. Seus pais são Joaquim Madeira dos Reis e Julieta Anderson dos Reis. A família, natural de Biguaçu, retornou à cidade em 1945. O pai de Luiz trabalhava como “guarda-fio” do telégrafo do município.

Desde pequeno, Luiz sempre quis ser professor. Estudou o primário na Escola Básica Profº José Brasilício, o mais antigo estabelecimento de ensino de Biguaçu, e o 2º grau no Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis.

Já em 1969, formou-se em Pedagogia, na Universidade para o Desenvolvimento de SC (UDESC), de Florianópolis, e, cinco anos depois, concluiu pós-graduação em “Planejamento e Administração de Sistemas Educacionais”, pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro.

Luiz Anderson entrou para o magistério em 1960 como professor primário em Corupá, litoral norte de Santa Catarina. Um ano depois, foi nomeado auxiliar de direção e, no ano seguinte, já era diretor de escola naquela região. Lembrando-se do ditado de Lair Ribeiro, o mago brasileiro da terapia neurolinguística, que a “sorte é o encontro da preparação com a oportunidade”, Reis salienta que sua carreira foi sucedida por estar “no lugar certo e com a preparação certa.”

Luiz ocupou vários cargos públicos da administração estadual. De 1967 a 1972, foi Secretário Executivo da Fundação Estadual de Santa Catarina, que mantinha a UDESC.

De 1985 a 1987, atuou como presidente do Conselho Estadual de Educação, do qual era membro desde 1976. Trabalhou por 23 anos na Secretaria Estadual de Educação, onde dirigiu várias diretorias. Depois foi trabalhar como secretário adjunto da cultura, esporte e turismo entre 1985 a 1986 durante o governo do então governador, Esperidião Amin.

Em 1989, atuou como Secretário Municipal de Educação de Biguaçu.

 

O SONHO

Aposentado, decidiu pôr as cartas na mesa e ir direto a seu antigo sonho profissional: fundar seu próprio colégio. Vendeu terrenos e carros para levantar o capital inicial de seu empreendimento.

Em 1991, surgiu o “Colégio Educar”, hoje um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino particular do município de Biguaçu, instalado na rua Leopoldo Freiberger, centro da cidade, seu colégio oferece desde o jardim de infância até o curso preparatório para o vestibular. Seu estabelecimento foi o primeiro a oferecer curso supletivo em Biguaçu.

Diz o ditado alemão: “Aller Anfang ist schwer” (Todo começo é difícil). O do Colégio Educar não foi diferente. Afinal de contas, no primeiro ano de funcionamento da escola, só havia uma única turma de apenas 11 alunos. Sim, a escola funcionou o primeiro com apenas 11 alunos.

A sorte de Luiz era que já estava aposentado. Era sua garantia de sobrevivência naqueles dias difíceis de escola iniciante e buscando clientela e reconhecimento pelo trabalho pedagógico empreendido.

A história é longa. Os obstáculos foram inúmeros. Luiz foi superando um a um. Se contá-los, dá até um livro para enriquecer a biblioteca brasileira de história da educação.

Luiz Anderson dos Reis. (Foto JBFoco)

POLÍTICA

Além da educação, Reis participou ativamente da política. Aliás, dá de separar política, educação e da cidadania por um país melhor?

Luiz atuou duas vezes vereador de Biguaçu pelo PDS (hoje PP), nas legislaturas de 1977 a 1982 e de 1983 a 1988.

Como quase tudo em sua vida gira em torno de educação, é claro que quase todos os projetos e requerimentos apresentados pelo então vereador Luiz Reis giravam em torno do assunto. Entre inúmeros projetos, apresentou um para a abertura da rua lateral do Colégio Maria da Glória Viríssimo de Faria, no centro de Biguaçu, obra que permitiu sensível melhora no estabelecimento, e conseguiu intermediar verbas estaduais para sua ampliação.

Tendo sido presidente da Câmara de 1979 a 1980, Luiz atuou inúmeras oportunidades como presidente de comissões temáticas, i.e. aquelas em que projetos são analisado.

Conforme relata, “já vi coisa que até Deus duvida”. Entre suas histórias, está a do vereador que não gostava de “escrever”. Relator de comissão, Luiz deu seu voto favorável a um projeto do prefeito, que era de seu partido, o PDS.

A oposição redigiu “não de acordo” numa folha comum de papel. Era a “justificativa” dela, assim mesmo, sem maiores explicações.

Luiz indagou ao vereador, líder da oposição, com o papel na mão: “por que são contra? Aqui não explicam nada.”

O cidadão respondeu: “não de acordo porque não somos favorável.”

Anderson insistiu então por que o vereador não apresentasse por escrito os motivos pelos quais era contra o projeto. “Não de acordo”, justificou o cidadão. E ficou por isso mesmo.

 

A CERTEZA

Na realidade, esse episódio deixou certa impressão em Luiz. O vereador não queria apresentar a argumentação porque não sabia escrever devido à escolaridade precária.

Isso não é vergonho, feio, crime ou o que seja. O vereador colega de Luiz foi de uma geração (anos 40 e 1950) em que a educação não atingia a todos. Foi uma falha de sucessivos governos do Brasil com várias gerações.

Para Luiz, um país se faz com, como disse Monteiro Lobato (1882-1948), “com homens e livros” e também, acrescenta, boas escolas. Aprender a ler, escrever, interpretar textos, matemática, química, física, filosofia, inglês, português, enfim, ter uma formação pessoal para enfrentar a vida, é o dever número 1 de um país com seus jovens.

E Reis sempre teve a convicção de que, como cidadão, tinha um dever até moral para ajudar o país na formação de seus jovens. E isso explica sua paixão pela educação.

E o projeto Colégio Educar foi a contribuição de Luiz para as novas gerações de biguaçuenses.

Luiz continua firme e forte trabalhando na administração do Colégio Educar. Aparenta ter 60 anos de idade, mas não é. Já está com quase 80 anos. Mas sua paixão pelo trabalho, pelo colégio em si e zelar pela formação de seus queridos alunos são a grande energia de Luiz que o faz seguir em frente com a energia de um menino.

Colégio Educar: Ampliação em 2019

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