Por: Ozias Alves Jr. | 1 mês atrás

Faleceu hoje (segunda, 15/10) Marion Traebert, 80, no Hospital de Caridade, em Florianópolis.

Funcionário de carreira do BADESC, sr. Marion atuou como secretário municipal de administração entre 1993 a 1993 no governo do então prefeito de Biguaçu, Sadi Peixoto. Residente no centro de Biguaçu, Marion deixou esposa, três filhas, um filho, uma neta e um neto.

A história da família Traebert teve grande importante para o desenvolvimento de Biguaçu. Aqui transcrevemos um artigo que publicamos a respeito sobre a história do pai de Marion, o sr. Ewaldo Traebert (1913-1997). Esta é a história de como a família Traebert veio parar em Biguaçu e qual sua contribuição para a comunidade.

 

Marion Traebert. (Foto Família)

EWALDO TRAEBERT

 

Ewaldo Traebert (1913-1997). (Foto Ozias Alves Jr)

 

Eis o artigo: “Para muitos biguaçuenses que eram crianças nas décadas de 1940 e 1950, Ewaldo Traebert poderia ter passado direto, esquecer que Biguaçu existia no mapa. Mas o “alemão” cismou em montar consultório  dentário na cidade, para horror dos garotos que preferiam qualquer coisa, menos submeter-se a tratamentos odontológicos. Afinal, não é de hoje o medo secular dos dentistas e de suas brocas zuniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo entre os dentes.

Traebert não tinha culpa. Afinal, sequer os moderníssimos instrumentos odontológicos de hoje estão isentos de provocar dor, imagine o sofrimento de 60 ou 70 anos atrás. Fazer o quê? A cárie tinha de ser retirada. Por isso, dá-lhe broca ou o nome que seja, o único meio que se conhece até hoje para isso.

Apesar da “má fama” da profissão, o dentista Ewaldo Traebert conquistou uma legião de clientes e amigos. Ele não é um “manezinho” de Biguaçu da gema do ovo. Nasceu em Indaial em 13 de março de 1913. Mas tornou-se “Gente da Terra” a partir de 1941 quando montou seu consultório no centro de Biguaçu.

Não foi o primeiro dentista de Biguaçu. Parece que existiu um profissional da área na década de 1920, cujo nome não ficou registrado na história. Acredita-se que ficou muito pouco tempo, pois em seguida, Biguaçu passou muito tempo sem dentistas até que apareceu Traebert. Este último foi o único dentista no município por mais de 20 anos.

Ewaldo era um colono do vale do Itajaí que deixou a roça para ser aprendiz de dentista. No final dos anos 1920, decidiu-se matricular no antigo Instituto Politécnico instituição com sede em Florianópolis que, antes do surgimento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 1960, era a única que formava dentistas.

Formado, Traebert passou maus bocados quando a papelada da legalização de seu diploma extraviou-se no Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. Havia estourado a Revolução de 1932 e o Ministério ficou uma “zoeira”. Azar inesperado.

Mas como o Brasil é a terra do jeitinho, Ewaldo deu um jeito em seu diploma com o Instituto Politécnico e passou a clinicar. Vagou pelos municípios do Vale do Itajaí, Florianópolis, São José e Angelina.

No final de 1940, visitando seu amigo Nagib Salum (in memoriam), pai de Abrahão Salum Netto, em Biguaçu, gostou do lugar. Mudou-se imediatamente para a cidade a pedido do amigo, que reclamava da falta de dentistas na cidade. Montou o consultório na rua Getúlio Vargas. Atendia de quinta a domingo. De segunda a quarta, ia de “aranha” (carroça de duas rodas) ao interior “alemão” de Biguaçu (Antônio Carlos, Santa Maria e Rachadel), ou seja, onde concentrava-se a população de origem germânica do município.

Podia chover ou fazer sol. Ewaldo nunca deixou de fazer suas viagens clínicas. Nem chegou a se intimidar com a precariedade das estradas esburacadas. Os buracões, que “pipocavam” como um queijo suíço, eram tampados com bagaço de cana. Certa vez, Traebert teve um acidente espetacular quando sua aranha desgovernou-se por causa de um buraco mal tampado com essa porcaria de bagaço. Se tivesse caído de mal jeito, babáu, como se diz no norte. Mas não se intimidou com as adversidades.

Os colonos de Antônio Carlos tinham estima por Traebert, que falava alemão. “Eu falo muito bem alemão gramatical, mas não entendia muito bem o alemão que eles falavam”, observa Traebert a respeito do Hunsrück, como é chamado o alemão “caipira” dos colonos de Antônio Carlos.

Os colonos adoravam usar dentes de ouro, algo “chiquérrimo” entre as décadas de 1940 a 1960. Por isso, era comum as pessoas pedirem a Ewaldo que arrancasse os dentes delas para substituí-los por ouro. “Cheguei a colocar certa vez numa só pessoa 12 dentes de ouro”, conta Ewaldo.

Traebert aposentou-se de vez em 1978 quando seu filho, Frank Traebert ((1936-1981), assumiu o consultório. Pai de três filhos, Ewaldo tinha nove netos e sete bisnetos em 1997.

Com dificuldades de audição e de visão, Ewaldo morava no final de sua vida com seu filho Wilson em parte de sua antiga fazenda, cortada pela BR-101 nos anos 1960. Traebert vendeu a outra parte do terreno onde surgiu o primeiro loteamento de Biguaçu, o Jardim São Nicolau, fundado por Acácio Reitz (in memoriam).

Por complicações da idade avançada, Traebert faleceu em 31 de julho de 1997, em Biguaçu.

POST SCRIPTUM

Um irmão de Marion, Frank Traebert (1936-1981), foi homenageado com nome de uma rua do centro de Biguaçu. Marion morava ao lado de seu segundo irmão, cuja casa foi demolida para a construção de um centro comercial. Marion foi o terceiro e último do dentista Ewaldo a falecer.

 

Resquiescat in Pace! Descanse em Paz!

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias.

Salmo 23:1-6

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