Por: Ozias | 09/08/2017

Menina de 3 anos deve ficar com os pais do assassino da mãe dela? Eis o dilema judicial

 Isac Costa, 32, que matou a mulher Viviane Monteiro, 35, na manhã do último domingo (06/08) diante das duas filhas, no bairro Bom Viver, em Biguaçu, já prestou depoimento na delegacia e foi liberado para responder o processo em liberdade. Pela lei, como ele se apresentou e não foi preso em flagrante, ele tem esse benefício legal.

Não se sabe se ele está arrependido do que fez, mas as consequências são funestas. Isac teve uma filha com Viviane. A menina tem apenas três anos de idade. A criança, que ainda se encontrava na fase da amamentação no peito da mãe, presenciou o crime e disse aos policiais: “mamãe, papai, chão, faca”.

A criança vive perguntando: “cadê mamãe?” Isac destruiu não só sua vida como também a de suas filhas.

 

ÚLTIMAS PALAVRAS

O motivo do crime foi ciúmes dele com relação a sua mulher. Não foram dados detalhes da história, ou seja, quais as circunstâncias que levaram Isac a um ato tão extremo contra a mãe de sua filha e de sua enteada. A adolescente de 16 anos é fruto de um relacionamento anterior de Viviane. A moça presenciou horrorizada a facada fatal desferida por Isac contra a mãe. As últimas palavras dela foram: “minha filha!!!”

 

TRAUMA

As duas meninas estão abrigadas na casa de uma vizinha e a adolescente está muito traumatizada. Ela não consegue ficar só achando que o pai pode aparecer para atacá-la. Por isso, mantém e pede que os portões da casa estejam sempre fechados. Com relação ao seu retorno à escola, por enquanto não se sabe. A adolescente precisa de cuidados psicológicos para tentar superar (se isso por possível) o trauma.

 

“MARIA DA PENHA”

Grasiela Chaves Aires Rodrigues, nora da vizinha que abrigou as meninas da falecida Viviane, Roseli Ivete da Silva, esteve em Florianópolis dando um depoimento sobre o caso para integrantes da Comissão de Direitos Humanos, a Bancada Feminina e o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim/SC da Assembleia Legislativa do estado de Santa Catarina.

Roseli quer tentar obter a guarda das meninas e a bancada feminina da Assembleia Legislativa concorda e, por isso, articula uma negociação com a Defensoria Pública e Ministério Público. A ideia é o “apadrinhamento afetivo”, um programa que prevê o acolhimento de menores vítimas de violência junto a pessoas que necessariamente não são parentes.

Tudo isso está ocorrendo porque os avós paternos ou outros parentes sanguíneos do assassino podem requerer a guarda da menina de três anos, mas o Ministério Público manifestou-se que a criança fique junto de sua meia irmã, esta última que não tem vínculos de parentesco com Isac.

O Ministério Público aguarda decisão judicial. (Coluna do Décio) (Autor: Décio Baixo Alves)