Por: Ozias Alves Jr. | 11/10/2017

Na semana passada, os deputados federais e o presidente Michel Temer (PMDB) aprovaram uma nova reforma política. Em meio a várias críticas e reconhecendo que muita coisa ficou faltando, o novo regulamento muda bastante o cenário já para as eleições do ano que vem. O texto foi muito criticado, principalmente pela criação de um fundo bilionário (R$1,7 bilhão) para financiar as campanhas políticas com dinheiro público. Essa medida foi pensada para compensar o fim das doações de empresas, proibidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2015.

“O que foi aprovado não é uma reforma política, é um remendo mal feito”, criticou o presidente do PSD de Santa Catarina, Gelson Merisio. “É o retrato de uma Câmara absolutamente desconectada com a sociedade. Não baixou o custo das campanhas, infelizmente”, completa Merisio. Favorecendo quem já está no poder, Merisio argumenta, a reforma perde a chance de criar espaços para uma maior participação dos jovens e das mulheres no cenário político.

A crítica do catarinense está na mesma linha da expectativa de muitos especialistas, que acreditam que não só o alto custo das eleições vai continuar, como vai favorecer os candidatos mais ricos, já que eles podem se autofinanciar sem limites. Um exemplo é o prefeito de São Paulo João Doria, que doou para si mesmo R$2,9 milhões para usar na sua última campanha. Quem não tem essa verba pessoal, sai perdendo.

(Divulgação)