Por: Ozias Alves Jr. | 12/03/2018

Aqui a carta enviada: “Meu nome é João Fernandes da Silva Júnior, sou ACS em Biguaçu, Santa Catarina. Aqui na citada cidade estamos vivenciando literalmente um período de “caça às bruxas”.

A gestão tem perseguido continuamente os ACS/ace, cada semana tem uma novidade impactante e negativa contra o nosso trabalho. Querem que mesmo depois de termos realizado processo seletivo há anos, venhamos a prestar concurso público; pressionam os trabalhadores causando uma série de problemas, inclusive de saúde, como a depressão e outros mais.

Nosso filtro solar comprado em 2016 estava jogado em um depósito, e graças ao vice-prefeito Vilson ele nos fora distribuído em janeiro de 2018, e vence em maio deste mesmo ano. Não recebemos material de trabalho há anos.

A cidade tem 17 micro áreas descobertas (ou seja, sem a presença de um ACS responsável por aquele setor), e estamos colaborando, dando suporte para algumas dessas áreas, mas isso causa problemas, porque muitas vezes para dar suporte em outra micro área temos de deixar de visitar aquela a qual somos responsáveis.

A saúde terceirizada, e, portanto, sem nenhum comando sobre nós, quer impor suas ideias absurdas que caracterizam perseguição e assédio moral. Enfermeiras faziam algumas ACS realizarem serviços internos e nós somos funcionários externos. Nosso serviço é na comunidade, e não dentro dos postos de saúde, local no qual existem pessoas qualificadas para a realização de outras tarefas. Eu mesmo pasei por uma humilhação por parte das enfermeiras Ana Paula, Bárbara Cristine Manuel e Patrícia Hofmann em uma reunião. E elas são terceirizadas e sem comando sobre nós, o papel delas é coordenar, e não mandar, porque somos funcionários federais do Ministério da Saúde, contratados pela prefeitura.

Agora estão nos obrigando a usar uma folha para pedir a assinatura de nossos pacientes, e o telefone dos mesmos para depois ligarem para estes pacientes e perguntarem se realmente passamos na casa deles.

 Isso é um descrédito com o nosso trabalho, e assédio moral. E, por falar em moral, como uma gestão denunciada por tantas irregularidades e promessas não cumpridas, quer que os ACS/ace trabalhem mais ainda, se eles não realizam o que foram eleitos para fazer? Como uma empresa terceirizada que não paga em dia seus funcionários, que não deposita o FGTS dos mesmos, e que está sendo processada por inúmeras irregularidades no Ministério do Trabalho quer ter moral de cobrar um serviço de funcionários que não estão em sua folha de pagamento?

Onde está o Ministério Público diante desse fato? Onde estão os vereadores da cidade que permitem esse tipo de perseguição, a qual, inclusive, está causando um sério problema: ACS estão pedindo exoneração por não suportarem tanta humilhação e assédio? A base aliada do prefeito é maioria na Câmara dos Vereadores, o que faz com que a oposição tenha pouca força ali.

A prefeitura gasta mais de 500 mil com propagandas enganosas e deixa faltar medicamentos e pessoas nos postos de saúde. Recomendamos aos moradores de Biguaçu que liguem para o número 156 da ouvidoria municipal, e 136 da ouvidoria federal e denunciem tudo o que está de errado na saúde daqui.
Quem deixa muito a desejar não tem moral para cobrar dos outros, e menos ainda para perseguir trabalhadores honestos, que não estão envolvidos em centenas de processos como alguns integrantes da atual gestão! BIGUAÇU NÃO MERECE ISSO!”