Por: Ozias Alves Jr. | 05/12/2017
Vítor Santos
AGÊNCIA AL
Há histórias de vida que parecem ficção, inventadas para entreter e educar crianças. A de Victor Fontana é uma dessas. Nasceu em 1916, nas barrancas do rio Ibicuí, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

“A noite em que nasci foi a mais fria que minha mãe guardou na memória”, contou o ex-vice-governador barriga verde, que reviu sua vida desde as primeiras lembranças até os dias atuais em entrevista para a série Fragmentos da História, da Agência AL.

“Morávamos em uma linha de colonos. Meu pai, Domingos, plantava na roça, capinava, minha mãe, Anita, também”.

Aos 97 anos, memória e raciocínio afiados, Victor citou três episódios que marcaram a infância e ainda emocionam o nonagenário.

“Minha mãe pariu meu irmão mais novo quase como uma índia, caminhando, lembro do choro dele quando nasceu”, descreveu, orgulhoso da fortaleza da mulher que moldou seu caráter.

Aos quatro anos perdeu o pai, vítima do tifo.

“Ela ficou sem nada, com três filhos, mais um na barriga. Foi recolhida pelo meu avô, pai dela, que construiu um ranchinho na beira do mato, de chão batido, quarto, sala e cozinha. Não tinha dinheiro, levantava cedo e ia capinar. Se há uma mulher que hoje sei o valor que tinha, é minha mãe. Era muito sábia”.

Também não esqueceu uma bronca memorável que levou de Domingos e Anita.

“Ela fazia umas rapadurinhas de bananas, enrolava-as na própria folha da bananeira e depois guardava-as em uma lata. Um dia subi em um banquinho, peguei a lata e comecei a comer. Só mordia, jogava fora e pegava uma nova”, recordou, lacrimejando.

A fortuna parece brincar com os fortes. Alguém imaginaria que simples rapaduras teriam importância vital no destino dessa família?

Após a morte de Domingos, os doces passaram a ser vendidos na estação ferroviária próxima da casa para onde Anita mudou-se com os filhos. E o dinheiro recolhido pelos órfãos pagou dona Catarina, que iniciou os pequenos nos segredos das letras e dos números.

“Não tinha escola, igreja, clube, mas tinha uma estação da estrada de ferro”, rememorou o ex-deputado.

Uma criança no mundo
Certo dia dona Catarina chegou na casa de Anita, apontou para Victor e falou: “este está pronto”. Tinha 11 anos. Então a mãe, movida pelo amor que suporta tudo, até a ausência do ser amado, disse ao filho, “vá procurar serviço, onde tiver”.

O menino obedeceu e foi trabalhar em Santa Maria, como balconista. Vendia secos e molhados e ganhava mil réis por dia.

“Trabalhei um tempo, mas me desentendi com o patrão, perdi o emprego e voltei para casa”.

A mãe não cedeu um milímetro. “Aqui em casa todo mundo tem de trabalhar, você vai para a roça ou procurar serviço”.

A criança procurou trabalho e se tornou telegrafista da estrada de ferro aos 14 anos.

“A vida difícil te ensina a lutar e a não ter medo de nada, aprendi o código morse e me deram o serviço”.

Victor fez carreira como ferroviário, tornou-se líder sindical e chegou à presidência do Movimento de União dos Ferroviários (MUF) do Rio Grande do Sul.

“Fui grevista, agitava para melhorar salário, fiz tanta greve que na última conseguimos parar a estrada inteirinha por nove dias e nove noites”, contou, explicando que dormiam ao relento, em cima dos trilhos, para evitar que os camaradas partissem com as locomotivas.

“Conseguimos algumas vitórias, mais derrotas que vitórias, como hoje”.

O engenheiro químico
O jovem telegrafista levava uma vida itinerante. Uma noite, em Uruguaiana, avistou um grupo conversando em torno de um banco de praça.

“Haviam acabado de chegar de Porto Alegre, tinham feito vestibular e discutiam as questões de direito. Falavam dos glaucos, em atravessar o rio Rubicão. Me dei conta de que era um ignorante. Lia, escrevia e fazia as operações, mas precisava de estudos completos, do contrário não tinha futuro. Mas estudar como, se trabalhava em um lugar ermo, no meio do campo? Tinha de mudar para um local que tivesse possibilidade de estudar”.

Mudou-se para Porto Alegre e aos 21 iniciou curso para adultos, preparatório aos exames realizados em escolas credenciadas pelo Ministério da Educação.

“Fiz o curso trabalhando a noite para estudar de dia, todos os dias, sem descanso, de domingo a domingo, Natal e Ano Novo, para prestar exame em colégio oficial”.

Depois fez o pré-técnico e em seguida passou no vestibular para engenharia química na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“Lia muito, vivia de um lado para outro, então comprava livros. Pasteur, Marie Pasteur, achava interessante a química, resolvi estudar engenharia química. Exerci a profissão como bacteriologista”.

Mas, para o engenheiro vir à tona, o ferroviário teve de submergir.

“Terminei sendo demitido da estrada de ferro, acusado de incitador, agitador, uma série de apelidos. Fiquei desempregado. Quando cheguei para tomar café da manhã na pensão que morava, o dono me disse, ‘você foi demitido, desocupe porque não terá dinheiro’”.

Sem teto, desempregado e com pouca grana, Victor procurou abrigo na “casa do estudante pobre” da UFRGS, na rua Riachuelo, centro do ex-Porto dos Casais.

“Apresentei a carteira de estudante e o diretor disse ‘não tenho vaga, mas posso arrumar um colchão para você dormir no chão’”. Acabou dividindo o quarto com um jornalista metido a comunista. “A casa abrigou-me até o último dia”.

Em seguida voltou a trabalhar, agora na indústria de processamento de carnes, em Canoas.

“Um mil réis a hora. Me formei contratado como engenheiro pelo Frigorífico Nacional Sul Brasileiro”.

Nesse interim, Anita e os outros filhos migraram para Santa Catarina.

“Vieram trabalhar com meu tio Atílio, irmão mais novo de meu pai. Arrumaram serviço com ele, não quis vir, preferi ficar solto lá no Rio Grande, era melhor para mim”.

Mas estava escrito, o filho de Anita, que aprendeu escrever, ler e contar com dona Catarina, havia de mudar para a banda norte do rio Uruguai definitivamente.

“Em uma ocasião fui visitar minha mãe em Concórdia. Tio Atílio adquirira uma empresa, que depois virou a Sadia, e fez uma proposta para trabalhar com ele. Era 1948, tinha 32 anos”.

O sistema integrado de produção
O convite do tio seduziu o sobrinho. O fato marca o início de uma revolução que alterou a relação entre produtor e indústria, culminando com a implantação no Oeste catarinense do sistema integrado de produção.

“Havia problemas de qualidade. Ele me disse, ‘você vem trabalhar comigo e te pago cinco contos por mês. Se resolver o problema, no fim do ano te dou uma gratificação de 100 contos’.

Estudei o assunto, era um problema químico, analisei a proposta e decidi aceitar o desafio. Pensei ‘vou pegar este emprego, ver o que vai dar’”.

Deu certo. Algum tempo depois o chefe questionou o empregado: “O que é preciso fazer para que um dia a marca Sadia seja reconhecida como uma marca de produtos de qualidade?”. O engenheiro respondeu que era preciso estudar. “Estudar o quê?”, perguntou Atílio Fontana. “A tecnologia correspondente. No Brasil não tem, só na Europa e nos EUA”, respondeu Victor. “Aí ele me provocou, ‘vai começar por onde?’ Disse que pela Alemanha”.

O engenheiro da Sadia desembarcou no recém destruído Terceiro Reich com um dicionário embaixo do braço e a química na memória. Começou pelo Instituto de Tecnologia, localizado na Floresta Negra, e depois rumou para a Dinamarca.

“Passei seis meses conversando com pesquisadores, perguntando e conhecendo tudo a respeito de carne, como se elabora, porque isso e aquilo. Voltei com a cabeça cheia e comecei a mudar tudo”, contou.

O contraste entre as experiências brasileira, alemã e dinamarquesa convenceram-no de que a matéria-prima não era boa.

“O sistema de produção animal que tinha aqui era o mais primitivo que se possa imaginar. Porco era sinônimo de sujeira, ‘porco é porco’, como diziam. Alimentação na base da lavagem, restos de comida, nenhum cereal. O animal ficava pronto em três anos, três anos e meio. Institivamente confinavam, com isso os animais não perdiam energia e atingiam 200 kg, era pura gordura”, explicou, completando que naquela época, com a tecnologia disponível na Europa, era possível chegar aos 100 kg em menos de 8 meses.

“No começo achavam que era bobagem”, revelou.

Mas, com os conhecimentos obtidos nos países europeus  e alguns companheiros veterinários, Victor se lançou a provar que era possível.

“Pegamos três reprodutoras prenhes, passamos a cuidá-las como se fosse uma experiência científica, com ração dosada. Enfim nasceram os leitõezinhos e 120 dias depois chegaram a pesar 114 kg. Aí começou uma mudança revolucionária na produção suína, baseada naquela experiência de 1949”.

Nessa época, Atílio Fontana recebeu a visita do senador gaúcho Saulo Ramos e ofereceu um jantar em sua homenagem.

“Carne de caça, vinhos franceses. Fui convidado para comer com eles e conversando com o Saulo, ele me relatou ter visto, nos EUA, um sistema de produção agropecuário integrado. Disse que a integração tinha sido uma política adotada por Franklin Delano Roosevelt no tempo do New Deal, na qual produtores e indústrias se juntam para dar economicidade ao processo”.

Decidido a conhecer o sistema, Victor viajou a São Paulo.

“Fui ao consulado americano, queria acesso à literatura do New Deal aplicada ao agronegócio. Consegui, voltei e juntei com meus companheiros de Concórdia para estudar como se dava a integração e então começou a experimentação com aves”.

“No começo foi difícil, imagine passar ensinamentos para o agricultor, um homem rude, sem estudos, que agia por intuição e repetia o que havia aprendido com pais e avós?”

Mas o projeto seguiu adiante. “Começamos com seis frangos por dia. Deu certo, indicando que era possível abater em nível industrial. E foi assim que nasceu a avicultura que hoje abate milhões de frangos por dia”.

Quanto ao reconhecimento pelo pioneirismo, Victor desconversa, diz que “isso não importa”. Para ele, o título de cidadão catarinense concedido pelo Legislativo em 2006 é o maior prêmio que poderia receber.

Todavia contou satisfeito que foi citado pelos seis especialistas convidados pela Fiesc para falar ao cônsul do Japão sobre a qualidade dos suínos e aves produzidos no estado.

“Ocupei todos os cargos na Sadia, até vice-presidente”.

O político

Não fosse a longevidade e a pluralidade de papéis que Victor Fontana desempenhou, esta narrativa terminaria aqui. Mas foi secretário da agricultura, deputado federal, vice-governador, constituinte, presidente da Celesc e, aos 84 anos, presidiu o Besc.

“Em Concórdia queriam que eu entrasse para a política, mas meu patrão não deixava”, afirmou, referindo-se a Atílio Fontana, que foi senador e vice-governador do estado (1971/75).

No caso de Victor Fontana, o tempo jogou favoravelmente. Antonio Carlos Konder Reis, recém eleito governador pela Assembleia, chamou-o para conversar.

“Convidou-me para ser secretário dele. Ofereceu a fazenda ou a agricultura. Pedi três dias para decidir e disse-lhe que se aceitasse teria de ser a agricultura”.

Victor morava em São Paulo, tinha 58 anos, deixara a Sadia e trabalhava temporariamente em outra empresa.

“Como manter meu padrão de vida com o salário de secretário?”. A solução encontrada em comum acordo com a direção da Sadia, que tinha interesse na gestão da agricultura, foi integrá-lo ao conselho da empresa, assim o salário de conselheiro complementaria o de secretário.

“Encontrei a assistência técnica e extensão rural em todos municípios, tínhamos uma equipe com pós-graduação, mestrado e doutorado. Fiz muita coisa, gostei muito”, descreveu, creditando ao exercício do cargo de secretário o êxito na eleição de 1978.

“Me candidatei a deputado federal, como tinha circulado pelo estado todo, me elegi”.

Mas sua impressão do Congresso Nacional não é das melhores.

“Aquilo lá é uma fantasia”, resumiu, contando que logo que assumiu procurou o líder da Arena para dizer-lhe que gostaria de presidir a Comissão de Agricultura.

“Conhecia do assunto, mas ele me disse ‘você não pode ser presidente, na sua testa está escrito que é empresário e empresário não pode ser presidente de comissão, nem relatar projeto de lei’. Concluí que os políticos não aceitam um empresário político”.

Victor desistiu temporariamente do Congresso e disputou a eleição de 1982 como vice-governador de Esperidião Amin.

“Me elegi vice. Naquele tempo competia ao vice administrar as empresas estatais, então administrava a Celesc, a Casan, Erusc, Empasc, Ciasc, esta parte era comigo. Eu escolhia os dirigentes, era acostumado a dirigir a Sadia, não era muito complicado”.

Tanto poder na mão do vice desagradou alguns aliados do governador.

“Não era muito conveniente para o governador, então desisti, não quis continuar. Daí não fazia nada, a função do vice é não fazer nada, vai por acerto político. Por isso preferi ser secretário da agricultura, a secretaria tem verba, tem meios, você realiza alguma coisa”.

Em 1986 elegeu-se novamente deputado federal, tornando-se um dos representantes do estado na Assembleia Constituinte. Crítico de primeira hora da Carta de 88, Victor acredita que os constituintes se equivocaram.

“A Constituição de 88 é parlamentarista. Foi um engano cometido pela maioria. O povo não concordou e no plebiscito decidiu ficar com o regime presidencialista. Então temos um regime presidencialista com uma carta parlamentarista. Na época falei que não haveria governo que pudesse governar com a constituição aprovada”.

A prova de que estava certo, segundo o ex-constituinte, está no fato de a Constituição ter sido emendada 75 vezes, além de centenas de propostas de emendas que tramitam na Câmara e no Senado.

“Lógico, não funciona”, criticou.

Para governar, de acordo com Victor Fontana, o chefe de governo precisa se entender com os presidentes de mais de 30 partidos, além disso cada deputado ou senador pretende ser independente.

“Hoje é muito difícil governar, aí vêm as barbaridades como o mensalão”.

O futuro é o controle
Para o ex-parlamentar o futuro está no controle dos políticos pelos eleitores. Para ele, o problema está na ampla liberdade de ação dos parlamentares, que não estão vinculados às demandas dos eleitores.

“Sou candidato, todo mundo vota em mim, me elejo, mas como vou agir lá na Câmara? Voto a favor, contra ou pergunto ao eleitor como devo votar? Hoje vota como quer. Ele não pergunta para seu eleitor como votar, não tem contra-poder, por isso não está funcionando de acordo com o que pensamos. Mas se não funciona, revoga o mandato, bota fora e escolhe outro. Com o voto distrital é possível fazer isso”, ensinou.

98 anos e ainda na ativa

Há quatro anos Victor parou do correr, como fez por anos pelas ruas, clubes e academias de Florianópolis. Mas caminha todos os dias, de andador, para ninguém esbarrar nele, tem receio de quebrar algum osso.

Ainda administra seus negócios, faz sua declaração de IR e preenche a mão a carteira de trabalho dos empregados.

Vai a Porto Alegre e a São Paulo quase toda semana, foi a Nova York em 2013 e até 2009 ia de Florianópolis a Concórdia de carro. Sua rotina inclui fisioterapia logo cedo, trabalho a tarde, além de aulas de reciclagem de inglês.

Gentil, lúcido e carinhoso, Victor Fontana recebeu a equipe da TVAL e da Agência AL em seu amplo escritório, no centro de Florianópolis. Provocado pela repórter Maria Helena Saris, recitou – com a entonação de quem muitas vezes representou o mesmo papel – a carta de amor que dom Quixote enviou à Dulcinéia.

Opiniões, histórias e frases

Brasília é um sonho de JK, de colocar a sede do país no planalto central. Naturalmente ele pensou que ia levar o desenvolvimento para o interior. Minha opinião é de que foi um dos grandes erros cometidos, custou uma imensidão de dinheiro e facilitou a corrupção. Levavam material de construção de avião! Quanto custou para transferir os funcionários do Rio de Janeiro para Brasília, com habitação para todo mundo, tudo por conta da fazenda nacional?

O Besc foi um desafio interessante, para ver como funcionava e onde estava a fraqueza. Ao assumir, em 1999, perguntei ao governador, ‘tem dinheiro para o Besc?’, ele respondeu ‘não boto dinheiro no Besc’. Então vamos federalizar. Comecei o processo, bem feito, bem conduzido, dentro da lei.

Fui presidente da Celesc na década de 90. Uma empresa muito boa de tocar. Cuidamos da leitura de consumo. Quando o Tribunal de Contas examinou a minha gestão concluiu que naquele período a empresa apresentou os melhores resultados.

Sadia S/A. A fusão foi um erro. Meu chefe e líder (Atílio Fontana) não soube fazer a passagem do comando. Não estudou convenientemente a sucessão e deixou as melancias se acomodarem na carruagem. Deu errado. Os descendentes e os herdeiros confundiram salsicha, linguiça, presunto, frango e carne de porco e foram ser banqueiros com os dólares das exportações. Como não eram banqueiros, quebraram, um rombo enorme, U$ 5 bilhões. Fizeram besteira, mas a marca é tão forte que hoje as ações da BR Foods estão mais valorizadas que as da própria Sadia. A qualidade é essencial.

Pão se ganha com o suor do rosto, a coisa não vem de mão beijada, tem que ser conquistada.

A melhor coisa no mundo é conhecer gente, sempre se aprende algo, por mais modesta que seja a pessoa, mas tem de ouvir mais do que falar.

Cheguei a conclusão de que o maior prêmio que recebi foi a cidadania catarinense. Devo tudo o que sou a Santa Catarina, sou muito grato ao povo catarinense.

Não penso em completar 100 anos, vou tocando. Por enquanto acho que dá.

Estou chipado! Tenho um chip colocado sob a pele para tirar a dor. Interessante que foi só ligar a bateria e na primeira descarga aliviou a dor.

Sempre caminhei bastante, quatro, cinco km por dia. Além disso, fazia ginástica em clube fechado. Não gosto de comer muito, prefiro beber a comer, exageradamente falando.

Penso muito numa coisa: o Brasil vai ser sempre assim? Acho que não. Mas precisa mudar o ensino, se não tivesse estudado seria agente de estação da estrada de ferro. Ler bastante, está faltando isso. Infelizmente não se cuida das escolas, os professores estão reduzidos na sua importância que nem vontade para ensinar têm.