Por: Ozias Alves Jr. | 1 mês atrás

Nestes tempos de comunicação instantânea, um cidadão chamado Nelson Nisenbaum, da comunidade judaica do Rio de Janeiro e atualmente morando em São Paulo, conforme informa seu facebook, resolveu divulgar um vídeo seu para alertar a população a não votar em Bolsonaro.

Nada contra. Pelo contrário. Está exercendo não só seu pleno direito de liberdade de expressão como também sua cidadania de alertar a população para o suposto perigo de votar num “nazista” (termos dele) como Jair Bolsonaro.

Nelson inicia o vídeo contando que, em 1927, seu avô, na época um jovem de 17 anos de idade residente na Polônia, teve a oportunidade de ler o famoso livro “Mein Kampf” (Minha Luta), de Adolf Hitler, lançado apenas dois anos antes.

Segundo Nelson, depois da leitura, seu avô implorou para que sua família e alguns amigos comprassem passagens nos navios o mais rápido possível para saírem da Polônia alegando que, mais cedo ou mais tarde, haveria invasão da Alemanha e que os judeus seriam massacrados impiedosamente.

Ninguém deu-lhe ouvidos. A única pessoa que conseguiu convencer a fugir com ele foi sua namorada e o casal veio parar no Brasil.

Conforme temia o jovem, aconteceu ipsis litteris. Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invadiu aquele país iniciando a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Varsóvia, capital da Polônia, acabou como a cidade mais devastada daquele hecatombe. A antiga e numerosa comunidade judaica polonesa foi dizimada nos campos de concentração nazistas, incluindo a família do avô de Nelson Nisenbaum.

Em certa altura da filmagem, Nelson comentou que, se seu avô não tivesse lido o livro e fugido o mais rápido possível, ele mesmo, o autor do vídeo, não estaria hoje “vivinho da Silva” dando aquele depoimento.

Com esta introdução realmente bem feita, Nelson, invocando a autoridade de ser um judeu brasileiro, passou a atacar Bolsonaro comparando-o a Hitler e “advertindo” o povo de que, elegendo o candidato do PSL, estará permitindo a subida no poder de um novo “nazista”.

Mas tem um “pequeno” problema na argumentação de Nelson. Hitler realmente revelou por escrito tudo que iria fazer quando chegasse ao poder, em seu indigesto livro “Mein Kampf”. Oito anos depois da publicação da obra, isto é, em 1933, Hitler assumiu o poder na Alemanha dando início a 12 anos de terror nazista.

A questão é: Bolsonaro, tal como Hitler, escreveu algum livro defendendo o extermínio de negros, índios, homossexuais, transexuais e, inclusive, judeus, comunistas, socialistas (incluindo os petistas, é claro) conforme sustentou Nelson? Há algum vídeo secreto ou entrevista para TV ou algum documento do punho do próprio Bolsonaro defendendo matar minorias, sem a mínima sombra de dúvida?

Nada contra o senhor Nelson “alertar” o povo brasileiro contra Bolsonaro, mas diante da falta de provas de que Bolsonaro planeja ser um novo “Adolf Hitler” (só falta o bigodinho a la Charles Chaplin), não podemos deixar de concluir que é mais um caso de calúnia e difamação pura e simples, mais um entre os vídeos que pululam atualmente na internet contra o candidato a presidente do Brasil pelo PSL ao sabor mais de divagações do que em fatos concretos.

Ah, mas Bolsonaro deixa a entender que irá colocar o exército contra os traficantes de drogas e endurecer a pena contra criminosos”, argumentam alguns fervorosos anti-bolsonaristas.

Mas defender a lei e a ordem e mais dureza contra a criminalidade é ser um “nazista”, um “Adolf Hitler”? Que lógica é essa?

 

 

 

Eu existo por que alguém pensou

Posted by Nelson Nisenbaum on Sunday, October 7, 2018

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